Prefeito evoca 'guerra civil' após confrontos contra toque de recolher na Holanda

Confrontos com a polícia à margem das manifestações contra o toque de recolher para conter o avanço do coronavírus, em Eindhoven, Holanda, em 24 de janeiro de 2021
Confrontos com a polícia à margem das manifestações contra o toque de recolher para conter o avanço do coronavírus, em Eindhoven, Holanda, em 24 de janeiro de 2021 Rob Engelaar ANP/AFP
Texto por: RFI
3 min

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, condenou nesta segunda-feira (25) os confrontos acompanhados de saques que eclodiram no dia anterior em várias cidades da Holanda, em paralelo aos protestos contra o toque de recolher em vigor para combater a epidemia de Covid-19.

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“Isso é inaceitável. Qualquer pessoa normal só pode observar com horror o que aconteceu", disse Rutte, durante entrevista concedida nesta segunda-feira a diversos meios de comunicação do país.  “É uma violência criminosa e vamos tratá-la como tal”, alertou.

Pelo menos 250 pessoas foram presas em todo o país em manifestações violentas, de acordo com a televisão pública holandesa NOS.

 “Não tem nada a ver com a luta pela liberdade. Não tomamos todas essas medidas por diversão. Fazemos isso porque estamos lutando contra o vírus e é por enquanto o vírus que nos tira a liberdade” , acrescentou o primeiro-ministro, estimando que "99%" dos holandeses apoiam as restrições.

“Se são seus amigos fazendo isso, seus filhos, sua família, peça a eles que parem”, disse Rutte, dirigindo-se aos holandeses que conhecem pessoas que participaram dos confrontos de domingo com a polícia.

Os incidentes foram relatados no domingo, em particular em Amsterdã, Eindhoven, Haia, Breda, Arnhem, Tilburg, Enschede, Appeldoorn, Venlo e Ruremond.

Veículos incendiados e saques

Em Eindhoven, no sul do país, vários veículos foram incendiados e lojas na estação central de Eindhoven foram saqueadas, segundo a televisão regional Omroep Brabant.

"Acho que, se seguirmos esse caminho, estaremos caminhando para uma guerra civil", disse o prefeito de Eindhoven, John Jorritsma, no domingo diante das câmeras de televisão, chamando os presentes à reunião de "a escória da sociedade" e sugerindo a necessidade de intervenção do exército.

A Holanda iniciou seu primeiro toque de recolher desde a Segunda Guerra Mundial no sábado. É proibido sair de casa entre 21h e 16h30, pelo menos até 9 de fevereiro. Qualquer infrator incorre na multa de € 95 (aproximadamente R$ 630).

O primeiro-ministro holandês disse na quarta-feira que a decisão de instituir um toque de recolher foi reforçada pela disseminação da variante britânica do coronavírus.

(Com informações da AFP)

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