Após República Tcheca e Áustria, França teme ser a próxima a ter fronteiras fechadas com a Alemanha

Policial alemão proíbe passagem de veículo em posto de controle em Zinnwald, na fronteira entre a Alemanha e a República Tcheca, neste domingo (14/02/2021).
Policial alemão proíbe passagem de veículo em posto de controle em Zinnwald, na fronteira entre a Alemanha e a República Tcheca, neste domingo (14/02/2021). REUTERS - MATTHIAS RIETSCHEL
Texto por: RFI
4 min

A Alemanha fechou as fronteiras no domingo (14) com a República Tcheca e com a região do Tirol austríaco para tentar conter a propagação das variantes do coronavírus em seu território. A França também estaria na lista de Berlim.

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O governo alemão está preocupado com a forte propagação das variantes brasileira e sul africana no departamento da Moselle, no nordeste da França. A região, que faz fronteira com o sudoeste da Alemanha, enfrenta uma explosão de casos da Covid-19.

Nesta segunda-feira (15), o secretário de Estado francês encarregado das Relações Europeias, Clément Beaune, fez um apelo para que Berlim "não feche completamente as fronteiras" entre os dois países. Ele afirma que está discutindo a questão com as autoridades alemãs "para que não haja nenhuma decisão que não seja coordenada".

"Se a Alemanha restringir ainda mais a circulação (...) gostaríamos que definíssemos juntos as exceções. Temos duas grandes preocupações: o transporte rodoviário, pois são nossos alimentos que circulam, e os trabalhadores das fronteiras", afirmou Beaune, em entrevista à Franceinfo, lembrando que, para essas pessoas que vivem e trabalham entre os dois países, a o fato de circular livremente é uma questão de sobrevivência.

No entanto, Berlim indicou que "continua a observar a situação para avaliar de forma contínua as medidas de luta contra a pandemia". O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, explicou que as medidas, se forem aplicadas, seriam uma última alternativa. "Os controles reforçados com os países fronteiriços não são a norma e são colocados em prática apenas por uma duração determinada, em função das condições relacionadas às ameaças das variantes", disse.

Já o ministro-presidente da região alemã da Saxônia, Tobias Hans, no sudoeste do país, revelou que o controle das fronteiras nesta localidade vizinha da França não está descartado. No entanto, segundo ele, os trabalhadores poderão circular apresentando testes negativos à Covid-19.

Contra o regulamento da Comissão Europeia

Beaune lamentou que a Alemanha tenha decidido fechar suas fronteiras com a República Tcheca e parte da região que divide com a Áustria "sem debate com a Comissão Europeia". Segundo o secretário de Estado francês, essas medidas "não estão conformes" às regras do bloco.

Outras personalidades políticas reagiram à decisão. Segundo Didier Reynders, comissário europeu da Justiça, "a Comissão Europeia está preocupada pelas recentes decisões unilaterais". Já a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, declarou ao jornal alemão Augsburger Allgemeine que "o vírus não vai parar de circular por causa das fronteiras fechadas".

Berlim se diz favorável a uma União Europeia "de portas abertas", mas segundo o ministro alemão da Saúde, Jens Spahn, "chega um momento durante uma pandemia que é necessário tomar tais decisões para preservar a saúde pública".

Desde o início da crise sanitária, vários países fecharam temporariamente suas fronteiras para tentar conter a propação do vírus. Na França, o governo inicialmente descartou a hipótese, mas, junto com os países da União Europeia resolveu restringir a circulação em março de 2020.

No início do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou a medida como "ineficaz", lembrando que as circulações ilegais poderiam aumentar os riscos de propagação do vírus. No entanto, um estudo recente publicado na revista científica Nature mostrou que as restrições de circulação de pessoas seriam a medida mais eficaz contra a Covid-19, depois da proibição de aglomerações e o fechamento de estabelecimentos educativos.

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