Alemão é acusado de fazer espionagem para a Rússia na Câmara dos Deputados da Alemanha

O suspeito trabalhava para uma empresa de informática contratada diversas vezes pelo Bundestag para realizar operações de segurança nos computadores.
O suspeito trabalhava para uma empresa de informática contratada diversas vezes pelo Bundestag para realizar operações de segurança nos computadores. David GANNON AFP

Um alemão foi acusado pela Procuradoria Federal do país de transmitir dados secretos da Câmara dos Deputados, em Berlim, para a Rússia. O caso gera ainda mais tensão nas relações germano-russas, abaladas desde o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny.

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O suspeito, identificado apenas como Jens F., trabalhava para uma empresa de informática contratada diversas vezes pelo Bundestag para realizar operações de segurança nos computadores. O Ministério Público federal, encarregado de investigações de espionagem, detalhou que o homem tinha "acesso a planilhas em PDF com dados sobre as propriedades” da Câmara, situada no centro da capital alemã.

A procuradoria acrescentou que, entre o fim de julho e o início de setembro de 2017, o suspeito “decidiu, por vontade própria, transmitir as informações sobre as propriedades do Bundestag alemão aos serviços de informação russos". Ele teria enviado os arquivos em formato PDF para um funcionário da embaixada russa em Berlim, acusado de ser um integrante da GRU (Departamento Central de Inteligência) da Rússia. Acusado pelo MP, o homem pode ser processado, se o tribunal competente acatar a acusação.

Histórico de invasões informáticas

Este caso de espionagem está longe de ser o primeiro a afetar as relações entre a Alemanha e a Rússia. Em 2015, Moscou foi acusado de estar por trás de uma invasão em massa de computadores da Câmara em Berlim e do gabinete da chanceler alemã, Angela Merkel, além de máquinas da Otan e do canal francês TV5 Monde. Hackers também buscaram dados pessoais de Merkel em uma conta de email dela, no período de 2012 a 2015.

O GRU foi, mais uma vez, apontado como responsável, mas as acusações foram formalmente negadas por Moscou. Apesar do mal-estar e de ter classificado as invasões como "escandalosas", a chanceler insiste em manter o canal de diálogo aberto com o presidente russo, Vladimir Putin. Na época, ela disse ter “provas tangíveis” da implicação do alto escalão do governo russo nas pirateamentos.

Além disso, em agosto de 2019, a morte de um georgiano da minoria chechena em pleno centro de Berlim, que, segundo os alemães, teria sido encomendada pelo governo russo, voltou a comprometer as relações bilaterais. Em reação, no fim do mesmo ano, diplomatas russos foram expulsos do país, em protesto contra a falta de cooperação nas investigações do assassinato. O autor do crime está sendo julgado na capital alemã, com Moscou negando veementemente qualquer implicação no caso.

Mais recentemente, é o envenamento do opositor Alexei Navalny, tratado e curado num hospital de Berlim, que gera conflitos. Depois do seu retorno à Rússia, em 17 de janeiro, Navalny foi preso e a Alemanha defende a libertação dele.

No início do mês, a Alemanha, a Suécia e a Polônia expulsaram diplomatas russos dos seus territórios, em represália a medidas similares tomadas por Moscou contra diplomatas desses países, acusados de participar de manifestações de apoio a Navalny.

Contradições

O desconforto acontece a alguns meses do 80º aniversário da invasão da Rússia pelos nazistas, e em meio ao avanço de um ambicioso projeto que une os dois países, a construção do gasoduto Nord Stream 2, contra a qual os Estados Unidos se opõem.

Berlim também tenta emplacar na União Europeia a vacina russa contra a Covid-19, a Sputnik V. O laboratório alemão IDT Biologika poderá participar da produção do imunizante russo na Europa. Angela Merkel pediu à agência alemã de medicamentos que “apoie a Rússia” no seu pedido de autorização da vacina junto ao organismo europeu competente, a EMA.

Com informações da AFP

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