Marine Le Pen em 2022? Uma pesquisa eleitoral dá esperança ao partido de extrema direita na França

A líder da extrema direita, Marine Le Pen, é pré-candidata na eleição presidencial da França.
A líder da extrema direita, Marine Le Pen, é pré-candidata na eleição presidencial da França. AFP - CHRISTOPHE ARCHAMBAULT

Uma pesquisa explosiva e secreta, que acabou vazando na imprensa francesa, mostra que se o segundo turno da eleição presidencial na França tivesse ocorrido em janeiro, Marine Le Pen, da extrema direita, e o atual presidente, Emmanuel Macron, teriam chegado lado a lado, com 48 pontos contra 52, respectivamente.

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Por Anne Soedtmont

Considerando a margem de erro, uma vitória de Marine Le Pen se tornaria possível, de acordo com o levantamento do Harris Interactive Institute, publicado pelos jornais L'Express e Le Parisien.

“Havia uma forma de euforia”, afirmam apoiadores da Reunião Nacional (RN), partido dirigido por Marine Le Pen, para descrever a reação após o vazamento da informação. Desde então, nenhuma reunião do partido ocorre sem uma referência aos resultados. "Isso muda tudo" teria reagido a própria Marine Le Pen.

Uma mudança também observada no dia a dia da política, com encontros até então inimagináveis. Um parlamentar diz, por exemplo, que foi recentemente abordado "para fazer contato". Um próximo de Marine Le Pen afirma ter se encontrado com "o número 2 de uma grande empresa". O RN estaria preparando uma mudança para o próximo pleito, a fim de conquistar aqueles que “não querem votar Macron novamente".

Virada para tranquilizar o eleitor

No entanto, essa sondagem deve ser vista com cautela, já que funciona apenas como uma foto da opinião pública. Porém, de acordo com alguns partidários da RN, já seria o suficiente para convencer Marine Le Pen a continuar com a sua "normalização".

Para isso, uma solução apontada dentro do partido é "tranquilizar" os eleitores. Este foi o objetivo da publicação no jornal L'Opinion, há poucos dias, de um artigo em que Le Pen trata do problema da dívida. A presidente do RN defende praticamente a mesma posição de Emmanuel Macron. Ao contrário de Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda, ela se apoia na ortodoxia orçamentária: "Não há como não pagar a dívida da Covid-19", afirmou.

Dentro da RN, alguns já começam a sonhar alto. Um representante do círculo interno já se aventurou, esta semana, a falar sobre um "governo de unidade nacional" a ser estabelecido após uma possível vitória. “Por que não com Arnaud Montebourg?”.

A própria Marine Le Pen brinca quando questionada se Jordan Bardella pode se tornar porta-voz do governo: "Ele merece mais do que substituir Gabriel Attal". Uma situação, no entanto, diferente da época de Jean-Marie Le Pen, pai da candidata, quando se perguntava se ele realmente queria assumir o poder.

 

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