Itália não espera aprovação da UE e anuncia produção da vacina russa Sputnik V

Uma funcionária da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) "desaconselha" os países membros da UE a autorizar com urgência a vacina russa contra a covid-19 Sputnik V, alegando a falta de dados suficientes sobre as pessoas vacinadas.
Uma funcionária da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) "desaconselha" os países membros da UE a autorizar com urgência a vacina russa contra a covid-19 Sputnik V, alegando a falta de dados suficientes sobre as pessoas vacinadas. REUTERS - POOL

A vacina russa Sputnik V contra a Covid-19, que aguarda autorização para uso na Europa, será produzida na Itália a partir de julho, de acordo com o anúncio feito pela Câmara de Comércio ítalo-russa nesta terça-feira (9). Enquanto Moscou critica a lentidão da aprovação do imunizante pela União Europeia, a França diz que não tem capacidade industrial para produzir a vacina.

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“A vacina será produzida a partir de julho de 2021 nas usinas da [empresa farmacêutica ítalo-suíça] Adienne na Lombardia”, no norte da Itália, declarou Stefano Maggi, assessor de imprensa do presidente da Câmara de Comércio, Vincenzo Trani.

De acordo com Maggi, 10 milhões de doses serão produzidas até 1° de janeiro de 2022, destacando que este é primeiro acordo europeu para a produção da vacina russa no território.

A Sputnik V ainda não foi homologada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), com sede em Amsterdã. O órgão começou a análise do imunizante para uso no bloco na semana passada. As autoridades russas se disseram prontas a fornecer vacinas a 50 milhões de europeus a partir de junho.

Roleta russa

Argumentado que sua vacina já foi homologada em 46 países, o Fundo Soberano Russo, proprietário da vacina, criticou novamente nesta terça-feira a AEM por ter “atrasado durante meses” o processo de validação da Sputnik. A Rússia denunciou também as declarações de uma responsável da agência que comparou a autorização de urgência à vacina por alguns países europeus a uma “roleta russa”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que as declarações da presidente do conselho de direção da AEM, Christa Wirthumer Hoche, são “lamentáveis” e “erradas”. O centro de pesquisas Gamaleia e o Fundo Soberano Russo exigiram “um pedido de desculpas públicas pelos comentários negativos”.

“Estes comentários são inapropriados e descredibilizam a EMA e seu processo de avaliação”, completou, denunciando a “possíveis interferências políticas”.

Impacientes diante de uma validação considerada muito lenta, diversos países da UE, como a Hungria - que começou a administrar a vacina russa a sua população em fevereiro - buscam fora do bloco vacinas ainda não aprovadas pela AEM. A República Tcheca e a Eslováquia também encomendaram doses à Rússia.

“Se a vacina não for autorizada na Europa até 1° de julho de 2021, as doses produzidas serão compradas pelo Fundo Soberano Russo e repassadas aos países onde a Sputnik foi homologada”, explicou Stefano Maggi.

A primeira vacina russa contra a Covid-19 foi acolhida, em princípio, com ceticismo, mas convenceu especialistas após a publicação de resultados na revista especializada The Lancet, segundo os quais a eficácia é de 91,6% contra as formas sintomáticas da doença.

Por hora, três vacinas foram autorizadas na União Europeia: Pfizer-BioNTech, Moderna e AstraZeneca. A da Johnson & Johnson foi submetida a um pedido de autorização. Além da Sputinik, a Novavax e CureVac estão sendo examinadas.

Sem capacidade

A França não dispõe da capacidade industrial necessária para produzir a vacina anti-Covid russa, declarou um responsável do Ministério da Economia nesta terça-feira, sem ter o nome revelado. De acordo com ele, toda a capacidade francesa está ocupada por outras vacinas.

Ele também afirmou que o país não tem nada contra o imunizante russo. No entanto, para ser utilizado, é necessário que sua homologação ocorra dentro das regras previstas pela lei europeia.

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