Covid-19: Agência Europeia aprova vacina da Johnson & Johnson, de dose única

A vacina, que requer uma só dose e não precisa ser armazenada em temperaturas muito baixas, seria a quarta a ser aprovada na UE.
A vacina, que requer uma só dose e não precisa ser armazenada em temperaturas muito baixas, seria a quarta a ser aprovada na UE. via REUTERS - JOHNSON & JOHNSON

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou nesta quinta-feira (11) a vacina da Johnson & Johnson contra a Covid-19, o quarto produto a receber a autorização na União Europeia. Uma das grandes vantagens é que o imunizante é o único no mercado que pode ser administrado em apenas uma dose. Além disso, pode ser conservado durante três meses em um refrigerador comum, o que facilita a distribuição.

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Em um comunicado, Emer Cooke, diretor da agência com sede em Amsterdã, disse que a Comissão Europeia autorizará em breve o uso do produto na região. "Com essa análise positiva, as autoridades europeias dispõem de uma nova ferramenta para lutar contra a pandemia e proteger a vida e a saúde dos cidadãos", declarou Emer Cooke, diretora da Agência Europeia, citada em um comunicado. 

As primeiras doses devem chegar aos países europeus apenas em abril. O grupo farmacêutico americano J&J solicitou em 16 de fevereiro a aprovação da vacina, desenvolvida por sua filial Janssen. A UE já havia aprovado previamente três vacinas (Pfizer-BioNTech, Moderna e AstraZeneca-Oxford) e outras três estão em processo de avaliação pela EMA (Novavax, CureVac e a russa Sputnik).

A vacina utiliza um vetor viral que gera uma resposta no sistema em eficácia de 66% para formas moderadas e severas, e de cerca de 85% para formas graves, segundo a companhia, contra as formas graves, segundo a fabricante. Ela também se mostrou eficaz contra formas graves em 81,7% na variante da África do Sul, e 87,6% na brasileira.

Testes clínicos 

O imunizante foi testado em testes clínicos realizados em mais de 40.000 pessoas maiores de 18 anos, em vários países. Entre eles, os Estados Unidos, México, Brasil e a África do Sul. Uma metade do grupo recebeu a vacina e a outra um placebo, e depois foram comparados.

A Comissão Europeia encomendou 200 milhões de doses do imunizante, com uma opção contratual de mais 200 milhões. A metade da encomenda, ou seja, 100 milhões de doses, deve ser entregue até junho. A vacina já foi autorizada nos Estados Unidos.

Controle da exportação

A Comissão Europeia também anunciou, nesta quinta-feira (11), que estendeu até o fim de junho a aplicação do chamado Mecanismo de Transparência e Autorização, que controla a exportação de vacinas contra a Covid-19.

Em uma nota oficial, a Comissão apontou que esta decisão foi adotada "após atrasos em algumas das entregas de vacinas à UE". Através desse mecanismo, empresas que assinaram com a UE contratos de pré-venda de vacinas devem obter uma autorização para exportar doses para fora do bloco.

 O mecanismo foi adotado em 30 de janeiro de 2021 com um prazo de aplicação inicial até 12 de março e, agora, será estendido até fim do primeiro semestre deste ano.  "A medida tem um objetivo específico, é proporcional, transparente e temporária", insistiu a Comissão.

UE já exportou para 31 países

No comunicado, a comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, apontou que as empresas, com as quais a UE assinou contratos de pré-compra de vacinas, devem "cumprir suas obrigações com os cidadãos da UE". Segundo ela, "a UE exporta quantidades significativas de vacinas contra a Covid-19 (...) E, no entanto, nem todas as empresas estão honrando seus compromissos com a UE, apesar de terem recebido pagamentos para tornar possível a produção" dessas doses.

De acordo com a Comissão, desde a implementação deste mecanismo, o bloco autorizou 249 encomendas de exportação de vacinas para 31 países, em um total levemente superior a 34 milhões de doses. Segundo a instituição, essas exportações "não ameaçavam os compromissos contratuais entre a UE e os produtores de vacinas".

Nesse período, o governo italiano, com a aprovação da do bloco, bloqueou um pedido de exportação de vacinas da AstraZeneca para a Austrália. A lista de países para os quais a UE autorizou exportações inclui Estados Unidos, Reino Unido, China, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Panamá, Peru e Uruguai, entre outros.

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