"Peço o perdão de todos os cidadãos": Merkel cancela reforço de medidas anticovid durante a Páscoa

A chanceler alemã Angela Merkel tinha anulado todas as festividades para a Semana Santa mas, diante da pressão, voltou atrás e pediu perdão à população pelo que considerou ser seu "erro".
A chanceler alemã Angela Merkel tinha anulado todas as festividades para a Semana Santa mas, diante da pressão, voltou atrás e pediu perdão à população pelo que considerou ser seu "erro". AP - Stefanie Loos

Após uma enxurrada de críticas, a chanceler alemã, Angela Merkel, voltou atrás e cancelou nesta quarta-feira (24) o reforço das restrições anticovid que havia anunciado na segunda-feira (22) para o período da Páscoa. A líder admitiu ter errado e pediu desculpas à população.

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"Um erro deve ser chamado de erro e, sobretudo, deve ser corrigido e, se possível, a tempo. Sei que esta proposta provocou uma incerteza adicional. Lamento profundamente e por essa razão peço o perdão de todos os cidadãos", disse a chanceler, após uma reunião de emergência com os líderes dos estados regionais.

Na segunda-feira, Merkel anunciou uma série de novas medidas para a Semana Santa, como o fechamento de lojas e o cancelamento de cerimônias religiosas. O dispositivo foi anunciado após mais de 12 horas de discussões com as autoridades regionais. No entanto, a chanceler resolveu recuar.

Depois de convocar os ministros presidentes dos estados regionais, a líder alemã cancelou as medidas nesta quarta-feira e fez um mea culpa: "Esse erro é unicamente meu", declarou.

Terceira onda de Covid-19

Merkel explicou que a ideia de um endurecimento das restrições por cinco dias durante a Semana Santa foi pensada com "as melhores intenções para desacelerar e reverter a terceira onda da pandemia". No entanto, "não se pode fazer isso em um período curto de tempo", ponderou.

"A situação é grave, muito grave", preveniu a líder alemã. "O número de casos aumenta de maneira exponencial e os leitos das UTIs começam a lotar novamente", reiterou.

A Alemanha, onde a taxa de incidência vem aumentando nos últimos dias, ultrapassou recentemente a barreira dos 75 mil mortos por Covid-19. A situação deve piorar nas próximas semanas já que, segundo o governo alemão, a variante britânica provocou "uma nova epidemia".

Cristãos sem Páscoa

O endurecimento das medidas na Semana Santa - do 1° ao 5 de abril - irritou principalmente os comerciantes, que reclamam das consequências econômicas de um novo bloqueio, além de religiosos e fiéis, inicialmente privados de celebrações típicas desta data.

Mas as críticas contra a chanceler foram também registradas por parte de integrantes de seu governo. O ministro do Interior da Baviera, o conservador Horst Seehofer, disse que estava "espantado com o fato de que todos os partidos cujos nomes têm um C (de cristão) sugeriram que as igrejas celebrem cerimônias por videoconferência, especialmente na Semana Santa". A afirmação foi uma indireta à Merkel, cujo partido é o CDU (União Democrática Cristã) e seu principal aliado, o CSU (União Social Cristã).

A revolta contra as restrições também preocupa os deputados conservadores, a poucos meses das eleições legislativas de 26 de setembro. As críticas se traduzem com pesquisas que já mostram o quanto a imagem do CDU e do CSU estão abaladas por um recente escândalo de corrupção sobre compra de máscaras de proteção contra a Covid-19, envolvendo vários de seus membros.

Nesta quarta-feira, uma sondagem realizada pelo canal NTV apontava apenas 26% de intenções de votos à CDU-CSU, contra cerca de 10 pontos a mais no início do ano. Quem mais ganha espaço no cenário político alemão são os Verdes, que têm hoje 22% de intenções de voto.

(Com informações da AFP)

 

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