Representante da Agência Europeia de Medicamentos reconhece vínculo entre vacina da AstraZeneca e trombose

Após semanas de polêmica envolvendo a segurança da vacina da AstraZeneca/Oxford, a Agência Europeia de Medicamentos se prepara para declarar oficialmente que há um vínculo entre os casos de trombose registrados em alguns países e o imunizante do laboratório anglo-sueco.
Após semanas de polêmica envolvendo a segurança da vacina da AstraZeneca/Oxford, a Agência Europeia de Medicamentos se prepara para declarar oficialmente que há um vínculo entre os casos de trombose registrados em alguns países e o imunizante do laboratório anglo-sueco. REUTERS - HANNIBAL HANSCHKE

Uma fonte da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) confirmou "um vínculo" entre a vacina da AstraZeneca/Oxford e casos de trombose registrados em pessoas que receberam o fármaco. A declaração foi publicada nesta terça-feira (6) pelo jornal italiano Il Messaggero.

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"Agora podemos afirmar: está claro que há um vínculo com a vacina. Mas o que causa essa reação, ainda não sabemos", disse Marco Cavaleri, diretor de estratégia de vacinas da EMA.

Segundo ele, a agência europeia deve se pronunciar oficialmente sobre essa questão em breve, após reuniões previstas para serem realizadas entre esta terça-feira e sexta-feira (9). "Resumidamente, nas próximas horas, vamos declarar que existe uma relação, mas ainda temos que entender como isso acontece", reiterou.

"Estamos tentando determinar um panorama preciso do que acontece para explicar esse problema ligado à vacina. Entre as pessoas vacinadas, há um número de casos de tromboses cerebrais em jovens superior ao que esperávamos. Vamos ter que afirmar isto", sublinhou, em entrevista ao jornal italiano Il Messaggero

Algumas horas depois da publicação da entrevista, a EMA reagiu. Em comunicado, o regulador europeu de medicamentos afirmou que continua avaliando se o imunizante da AstraZeneca/Oxford tem relação com a detecção de coágulos em algumas pessoas vacinadas

"Comunicaremos e organizaremos uma coletiva de imprensa logo que o exame for finalizado", afirmou a EMA. Segundo a agência, um novo anúncio deve ser realizado até quinta-feira (8).

Efeitos colaterais graves, mas raros

Há várias semanas foram detectadas suspeitas sobre possíveis efeitos colaterais graves, embora raros, em algumas pessoas vacinadas com o imunizante da AstraZeneca/Oxford. Algumas dessas reações são casos de trombose atípica, incluindo alguns que provocaram a morte. 

No Reino Unido, foram registrados 30 casos de trombose e sete mortes de um total de 18,1 milhões de doses administradas até 24 março. Na Áustria, uma enfermeira de 49 anos morreu após ter o produto inoculado. Na França, um estudante de 24 anos faleceu dez dias depois de ter recebido a vacina do laboratório anglo-sueco. 

Após registrar casos graves de coágulos sanguíneos, a Noruega e a Dinamarca optaram por suspender totalmente o uso da vacina até que novos estudos apontem para sua segurança. Em meados de março, as autoridades norueguesas anunciaram também a morte por hemorragia cerebral de um cuidador com menos de 50 anos que havia sido hospitalizado após receber uma uma dose do fármaco.

Sem provas sobre casos de trombose

Em 18 de março, a EMA anunciou que a vacina da AstraZeneca/Oxford era segura, uma confirmação apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a diretora executiva da agência, Emer Cooke, "não se demonstrou um vínculo causal com a vacina". De acordo com os conhecimentos científicos atuais, "não há provas que apoiem a restrição do uso desta vacina em nenhuma população", reiterou. 

Como precaução, vários países determinaram a aplicação desta vacina a algumas faixas etárias, como França, Alemanha e Canadá. Para mostrar à população que o imunizante da AstraZeneca é seguro, o primeiro-ministro francês, Jean Castex se vacinou, em 19 de abril, diante das câmeras. No entanto, no último 2 de abril, a ministra encarregada da Indústria, Agnès Pannier-Runacher, declarou que a França pode deixar de utilizar esse produto, quando as entregas de outros imunizantes aumentarem, no segundo semestre deste ano.

Para a AstraZeneca, os benefícios da vacina na prevenção da Covid-19 superam os riscos dos efeitos colaterais. O laboratório anglo-sueco voltou a afirmar no último sábado (3) que a "segurança do paciente" é sua "principal prioridade". Entretanto, vários especialistas vem expressando seu ceticismo sobre essa garantia. Segundo Paul Hunter, especialista em microbiologia médica da Universidade de East Anglia, "as evidências apontam para a vacina da AstraZeneca/Oxford como causa".

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