"SofáGate": líder turco deixa Ursula von der Leyen sem cadeira em reunião oficial e é acusado de machismo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de costas, espera sem saber onde sentar enquanto Recep Tayyip Erdogan e Charles Michel ocupam as duas cadeiras previstas para a reunião.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de costas, espera sem saber onde sentar enquanto Recep Tayyip Erdogan e Charles Michel ocupam as duas cadeiras previstas para a reunião. - TURKISH PRESIDENTIAL PRESS SERVICE/AFP

A reunião de terça-feira (6) entre representantes de Bruxelas e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, está chamando mais atenção por causa de uma gafe protocolar do que pelo conteúdo discutido no encontro. Um vídeo do evento mostra que, ao receber Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o líder turco não previu uma cadeira para a chefe do poder Executivo da UE.

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O episódio, que já está sendo chamado de “SofáGate”, está sendo interpretado como um sinal de desprezo ou até uma demonstração de machismo da parte das autoridades turcas.

As imagens divulgadas nesta quarta-feira (7) são claras: quando os dois representantes europeus entram na sala, Erdogan e Michel ocupam suas cadeiras em frente às respectivas bandeiras, enquanto Von der Leyen permanece de pé, sem saber onde se sentar. Após um momento de espera, a presidente da Comissão Europeia foi colocada em um sofá, situado em frente ao chanceler turco. No vídeo é possível escutar que Von der Leyen se limitou a destacar a situação inusitada com seu simples pigarro, enquanto Erdogan e Michel ocupavam as cadeiras principais.

A cena provocou reações imediatas em Bruxelas, com vários representantes políticos acusando o líder turco de desrespeito. Em comentário oficial, a Comissão Europeia declarou apenas que Von der Leyen preferiu "priorizar o conteúdo" da visita, sem dar destaque para a violação do protocolo.

No entanto, Eric Mamer, um porta-voz da Comissão, disse que Von der Leyen "deveria ter sentado exatamente da mesma forma que o presidente do Conselho Europeu e o presidente turco". E a decisão de priorizar o conteúdo da audiência com Erdogan "não quer dizer que [Von der Leyen] não tenha atribuído importância ao episódio". As equipes de Bruxelas também foram instruídas para iniciar "contatos adequados para garantir que um incidente como este não ocorra no futuro", completou.

A única mulher da reunião

O "SofáGate" provocou indignação não apenas pelo desrespeito do protocolo, mas também pelo fato de Von der Leyen ser a única mulher da reunião, e que o tratamento que foi dado à presidente da Comissão seria uma forma de machismo das autoridades turcas, que não levaram em conta sua presença. Além disso, o episódio acontece uma semana após a presidente Von der Leyen ter criticado abertamente a Turquia por sua saída da convenção global de prevenção da violência contra mulheres e crianças. Já há quem interprete a gafe do cadeiras como uma vingança de Ancara.

"Primeiro, se retiraram da Convenção de Istambul e agora deixam a presidente da Comissão Europeia sem assento em uma visita oficial. Vergonhoso", escreveu nesta quarta-feira a deputada espanhola Iratxe García Pérez, líder da bancada social-democrata no Parlamento Europeu. Já a eurodeputada Sophie in 't Veld se perguntou por que Charles Michel permaneceu "em silêncio", quando sua colega Von der Leyen ficou sem uma cadeira.

O episódio abriu a porta para questionamentos sobre o sexismo na UE. Na coletiva de imprensa diária, o porta-voz da Comissão foi questionado com insistência se a própria estrutura da União Europeia coloca Michel hierarquicamente acima de Von der Leyen. Mamer insistiu que os dois funcionários têm a mesma classificação de protocolo.

A visita de Michel e Von der Leyen a Ancara tinha como objetivo abrir uma porta para uma melhoria nas relações entre a UE e a Turquia, que foram violentamente abaladas por várias crises em 2020.

(Com informações da AFP)

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