Salvas de tiros em todo o Reino Unido homenageiam o príncipe Philip

Disparo de artilharia em Parade Ground, no centro de Londres, homenageia o príncipe Philip, morto na sexta-feira aos 99 anos.
Disparo de artilharia em Parade Ground, no centro de Londres, homenageia o príncipe Philip, morto na sexta-feira aos 99 anos. REUTERS - POOL

Em dia de luto nacional, o Reino Unido presta homenagens fúnebres ao príncipe Príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II morto ontem aos 99 anos. Ao meio-dia do sábado (10), 8h em Brasília, salvas de tiros ecoaram em Londres, Belfast, Edimburgo, Gibraltar e em navios da Marinha Real britânica para saudar a memória do patriarca da família real. Minutos de silêncio são observados antes dos jogos programados no Campeonato Inglês. 

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A rainha Elizabeth II declarou sua "profunda tristeza" pela perda do Duque de Edimburgo, seu "rochedo" como o chamava, após 73 anos de casamento. Apesar dos apelos da família real à população para seguir as regras de distanciamento social contra o coronavírus, muitos britânicos depositam cartões e buquês de flores do lado de fora do Castelo de Windsor, onde o príncipe faleceu, a oeste da capital, e no Palácio de Buckingham, em Londres. Em sinal de luto, as bandeiras oficiais estão hasteadas a meio mastro em todo o país.

A imprensa britânica publica edições especiais sobre a movimentada vida do príncipe. "Todos nós choramos com a senhora", diz a manchete do tablóide Sun dirigindo-se à rainha, enquanto o Daily Mail elaborou um suplemento de 144 páginas sobre a longa existência de Philip. "Que vida! Obrigado por servir ao nosso país", dizia uma das mensagens deixadas em frente ao Palácio de Buckingham.

A Casa Real deve anunciar em breve os detalhes do funeral, que provavelmente ocorrerá em um ambiente restrito, despojado da grandeza das cerimônias reais. A grande incógnita é a presença ou não do príncipe Harry e de sua mulher, Meghan Markle, após a recente entrevista à TV americana em que denunciaram o racismo de membros da coroa britânica, sem citar nomes. O casal mora na Califórnia e Meghan deve dar à luz uma menina em julho, o que poderia dificultar uma viagem para o Reino Unido. A fundação Archewell, detida pelo casal, homenageou o príncipe com um anúncio fúnebre e uma mensagem no Twitter.

Problemas cardíacos

Philip, que em 10 de junho completaria 100 anos, foi visto pela última vez em 16 de março, quando deixou o hospital King Edward VII de Londres, onde havia sido internado um mês antes. Do hospital, ele retornou para Windsor, quase 50 km a oeste de Londres, onde ele e a rainha, de 94 anos, permaneceram confinados desde o início da pandemia de coronavírus há mais de um ano. Há vários anos, os dois não passavam tanto tempo juntos, pois ele permanecia grande parte do tempo na residência real de Sandringham, e a rainha, em Buckingham, ou Windsor.

Depois de ser hospitalizado em 16 de fevereiro, por "medida de precaução" após um mal-estar, a Casa Real informou que sua internação não tinha relação com a Covid-19, da qual havia sido vacinado ao lado da rainha, e sim com uma infecção. No início de março, foi transferido do pequeno e elegante King Edward VII para o grande hospital público St. Bartholomew, onde foi submetido "com sucesso" a uma cirurgia "para tratar uma doença cardíaca preexistente". Na manhã de ontem, ele faleceu "serenamente", segundo o comunicado oficial.

De ascendência alemã, Philip nasceu príncipe da Grécia e Dinamarca em 10 de junho de 1921, e desempenhou um importante papel na modernização da monarquia após a Segunda Guerra Mundial. Ele era considerado o principal apoio da rainha. Sua morte, sem dúvida, levanta questões sobre uma possível abdicação da monarca de 94 anos, embora especialistas acreditem que seja improvável.

O príncipe Charles, herdeiro do trono, visitou a mãe na sexta-feira e afirmou que seu pai "provavelmente queria ser lembrado como um indivíduo" independente da rainha.

Macron presta nova homenagem

Em novo comunicado publicado neste sábado, o presidente francês, Emmanuel Macron, referiu-se à amizade da França com o Duque de Edimburgo. “O príncipe Philip conhecia o nosso país por ter vivido aqui durante um período de sua juventude e por ter vindo muitas vezes em viagens até 2014, por ocasião do 70º aniversário dos desembarques do Dia D na Normandia”, escreveu o chefe de Estado francês.

"Para muitos de nossos compatriotas", continua, "ele personificava a elegância e o brio britânicos. [Condecorado com os títulos] Cruz da Guerra por sua participação na Segunda Guerra Mundial e com a Grã-Cruz da Ordem Nacional da Legião de Honra, ele sabia o preço pago por nossos dois países, aliados e irmãos na luta pela liberdade. Nossas Forças Armadas lhe agradeceram profundamente por sua amizade e apoio", diz a nota assinada por Macron.

Provável funeral na intimidade da família

O Palácio de Buckingham informou que a rainha está "considerando" como conduzirá o funeral e possíveis eventos oficiais de celebração. "Os detalhes serão confirmados no devido tempo", disse ela. No entanto, o Colégio de Armas, uma organização estreitamente relacionada à aplicação dos protocolos reais, afirmou em seu site que o príncipe Philip não terá um funeral de Estado e que seu caixão não será exposto ao público. Seus restos mortais repousarão no Castelo de Windsor, a oeste de Londres, antes de um funeral na Capela de St. George, "de acordo com o costume e os desejos de Sua Alteza Real", explicou.

As bandeiras oficiais permanecerão hasteadas a meio mastro até às 8h locais do dia seguinte ao funeral. A bandeira real sobre a residência real, por sua vez, continuará a ondular para simbolizar a continuidade da monarquia.

Normalmente, o funeral de um alto membro da família real ocorre oito dias após sua morte, de acordo com a associação nacional de oficiais cívicos. Os membros da família real e da casa real vestirão roupas escuras e braçadeiras de luto. No dia do serviço fúnebre, também poderão ser reservados dois minutos de silêncio.

O último grande funeral real foi o da rainha-mãe, pouco mais de um mês após a morte de sua filha mais nova e irmã de Elizabeth II, a princesa Margaret.

Com informações da AFP

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