Dinamarca é 1° país a abandonar vacina da Oxford; França mantém imunizante para maiores de 55 anos

Em decisão sem precedentes no mundo, Dinamarca abandona vacina da Astrazeneca.
Em decisão sem precedentes no mundo, Dinamarca abandona vacina da Astrazeneca. ANDREAS SOLARO AFP/File

A Dinamarca anunciou nesta quarta-feira (14) que deixará definitivamente de administrar a vacina contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca devido a uma possível ligação com casos raros de trombose, uma decisão sem precedentes no mundo. O imunizante continuará a ser administrado na França em pessoas com mais de 55 anos, assim como o da Janssen, no qual o governo francês disse nesta quarta-feira manter a "confiança". A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) declarou que fornecerá uma análise sobre a vacina Janssen, da Johnson & Johnson, na próxima semana.

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A escolha das autoridades sanitárias dinamarquesas terá como consequência o adiamento de alguns dias, de 25 de julho para o início de agosto, da data prevista para o fim do atual programa de vacinação na Dinamarca.

Os resultados da investigação dos coágulos sanguíneos "mostraram efeitos colaterais reais e graves da vacina da AstraZeneca", disse Søren Brostrøm, diretor da Autoridade de Saúde Dinamarquesa, em um comunicado.

“Com base em uma avaliação geral, optamos por continuar o programa de vacinação para todos os grupos-alvo sem esta vacina”, acrescentou.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou na semana passada que havia estabelecido uma possível ligação entre a vacina da AstraZeneca e casos muito raros de trombose, destacando que o risco de morrer de Covid-19 era "muito maior" que o de ter o raro efeito colateral.

No entanto, a EMA deixou aos 27 Estados-membros da União Europeia a liberdade de realizar a sua própria avaliação dos riscos e determinar quaisquer alterações nas condições de sua utilização. Vários países, incluindo França e Alemanha, retomaram a vacinação após esses anúncios, mas apenas para certas faixas etárias.

A Dinamarca, com uma população de cerca de 5,8 milhões de pessoas, começou a reabrir suas escolas, restaurantes, shoppings e atividades culturais depois que o número diário de novas infecções caiu para entre 500 e 600, em comparação com vários milhares de casos em dezembro de 2020.

Quase um milhão de dinamarqueses já receberam uma primeira injeção de vacina: 77% com Pfizer/BioNTech, 7,8% com o imunizante da Moderna, e 15,3% com a AstraZeneca.

A Dinamarca foi o primeiro país a suspender o uso da vacina AstraZeneca em março em nome do princípio da precaução. Desde então, suspendeu também o uso da vacina Johnson & Johnson, enquanto aguarda os resultados de uma investigação sobre uma possível ligação com, novamente, casos raros de coágulos de sangue.

França mantém AstraZeneca e Janssen para maiores de 55 anos

A vacina da Johnson & Johnson será administrada na França a pessoas com mais de 55 anos, como já é o caso da AstraZeneca. A vacinação com o imunizante Janssen foi suspensa nos Estados Unidos e na África do Sul devido à rara ocorrência de coágulos sanguíneos graves.

A Johnson & Johnson decidiu então adiar imediatamente a implantação de sua vacina de dose única na Europa, onde foi a quarta farmacêutica a obter autorização da Agência Europeia de Medicamentos, no mês passado.

“Recebemos a primeira entrega de vacinas Janssen, ou seja, 200 mil doses que chegaram no início da semana em nosso território e que estão sendo enviadas para os dispensários de remédios e farmácias da cidade”, declarou o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, após o Conselho de Ministros.

“Obviamente, o imunizante será distribuído e administrado nas mesmas condições que o previsto hoje para a vacina da AstraZeneca, ou seja, para pessoas com mais de 55 anos”, acrescentou.

O porta-voz também reafirmou a "confiança" das autoridades francesas na vacina AstraZeneca, que usa como portador um tipo de vírus muito comum chamado adenovírus - uma tecnologia semelhante à usada pela Johnson & Johnson.

Essa vacina "mostra resultados muito bons, (ela) protege com eficácia as formas graves [de Covid-19]", martelou Attal. A AstraZeneca também se beneficia de uma opinião favorável do regulador europeu e da Organização Mundial de Saúde.

O Comitê de Avaliação de Risco de Farmacovigilância da agência europeia já começou a analisar os casos raros, mas graves, de coágulos sanguíneos atípicos observados nos Estados Unidos em pessoas que receberam esta vacina (mulheres com menos de 50 anos).

A EMA especifica em um comunicado à imprensa que o processo será acelerado e que deverá ser capaz de publicar uma opinião na próxima semana, ao mesmo tempo em que reafirma que, do jeito que está, a relação risco-benefício da vacina J&J permanece amplamente favorável.

Um total de seis casos foram identificados em mais de 6,8 milhões de doses da vacina J&J já administradas nos Estados Unidos.

(Com informações da AFP)

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