Larvas e insetos vão enriquecer o cardápio dos consumidores europeus

Os 27 países da União Europeia (UE) autorizaram nesta terça-feira, 4 de maio de 2021, a comercialização para consumo humano de alimentos à base de insetos.
Os 27 países da União Europeia (UE) autorizaram nesta terça-feira, 4 de maio de 2021, a comercialização para consumo humano de alimentos à base de insetos. AFP - FEDERICO GAMBARINI

Insetos assados e temperados como tira-gosto e massas à base de farinha de larvas vão em breve diversificar o cardápio dos consumidores no velho continente. Os 27 países da União Europeia (UE) autorizaram nesta terça-feira (4), pela primeira vez, a comercialização de insetos como alimentos.

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Em janeiro, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já havia concluído que as farinhas de larvas de insetos (Tenebrio molitor) podiam ser consumidas com segurança. Apoiados nesta conclusão, "os Estados-membros aprovaram a proposta da Comissão Europeia, que autoriza a utilização do produto como novo alimento", anunciou a Comissão.

"Pode ser usado como um inseto inteiro desidratado ou como ingrediente de diversos produtos alimentícios, biscoitos ou massas", indicou o comunicado.

Os alimentos à base de insetos (muito ricos em proteínas, minerais, vitaminas, fibras, mas também ácidos graxos saudáveis, ômega 6 e 3) podem ajudar a prevenir deficiências de nutrientes. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) os descreve como uma "fonte alimentar saudável e altamente nutritiva".

De acordo com a Comissão Europeia, o produto pode ser "uma fonte alternativa de proteína para apoiar a transição para um sistema alimentar mais sustentável", uma vez que a criação de insetos tem um custo ambiental limitado em comparação com outras fontes de proteína.

Os insetos, que não eram considerados alimentos para seres humanos, já foram comercializados na UE, especialmente em lojas de produtos orgânicos. A venda era possível porque vários países consideravam que eles não eram citados pela regulamentação alimentar europeia. Mas as regras atuais, em vigor desde janeiro de 2018, consideram explicitamente os insetos como alimento, sujeitos, portanto, à necessidade de uma autorização de comercialização.

Insetos consumidos por milhões de pessoas

Estima-se que milhões de pessoas consomem cerca de mil espécies de insetos na África, Ásia e América Latina. No entanto, nas fazendas de insetos na UE (que produzem milhares de toneladas por ano), eles são destinados principalmente para alimentar animais, especialmente peixes.

A autorização europeia para o consumo humano de farinha de larva de inseto será formalizada "nas próximas semanas", disse a Comissão. A empresa francesa Agronutris, que entrou com o pedido de autorização em 2018, comemorou a decisão. Segundo ela, a regulamentação europeia irá autorizar a comercialização de “insetos inteiros, assados e temperados, como tira-gosto e de farinha de larvas no limite de 10% de barras energéticas, biscoitos ou massas”.

A Ynsect, líder francesa na produção de farinhas de insetos para ração animal, já desenvolveu "um ingrediente à base de proteína de inseto sem óleo" para fabricar "barras energéticas" para atletas, e aguardava o sinal verde europeu.

Onze outros pedidos de comercialização de insetos foram apresentados à UE. A EFSA, com sede em Parma (Itália), concentra sua produção particularmente nos grilos e gafanhotos.

(Com informações da AFP)

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