Escócia: premiê busca apoio para independência em eleições parlamentares

Em 2014, 55% dos escoceses optaram por ficar no Reino Unido. Segundo Johnson, essa é uma consulta que pode ser feita apenas "uma vez a cada geração". Os defensores de um novo referendo consideram, porém, que o Brexit, recusado por 62% dos escoceses, mudou o contexto. Em particular, para os setores da pesca e da agricultura, muito afetados pela saída da União Europeia (UE).
Em 2014, 55% dos escoceses optaram por ficar no Reino Unido. Segundo Johnson, essa é uma consulta que pode ser feita apenas "uma vez a cada geração". Os defensores de um novo referendo consideram, porém, que o Brexit, recusado por 62% dos escoceses, mudou o contexto. Em particular, para os setores da pesca e da agricultura, muito afetados pela saída da União Europeia (UE). AP - Thanassis Stavrakis

Os escoceses vão às urnas nesta quinta-feira (6) para renovar os 129 deputados do Parlamento local. Nessas eleições, as primeiras desde o início da pandemia e do Brexit, o partido da primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, espera obter aliados para pressionar a realização de um novo referendo para deixar o Reino Unido.  

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Em 2014, 55% dos escoceses optaram por ficar no Reino Unido. Segundo Johnson, essa é uma consulta que pode ser feita apenas "uma vez a cada geração". Os defensores de um novo referendo consideram, porém, que o Brexit, recusado por 62% dos escoceses, mudou o contexto. Em particular, para os setores da pesca e da agricultura, muito afetados pela saída da União Europeia (UE).

Depois de uma série de pesquisas que nos últimos meses deram maioria à independência, a tendência parece estar se invertendo. De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana, 49% dos escoceses votariam "não" em um referendo imediato, contra os 42% que votariam "sim".

Nicola Sturgeon, cuja popularidade entre os escoceses se consolidou graças à sua gestão da crise do coronavírus, pretende esperar o fim da pandemia. Seu partido promete um referendo no máximo em 2023. De acordo com o SNP, a independência tornaria a Escócia e seus 5,5 milhões de habitantes uma "nação mais justa e próspera", que eventualmente aspiraria a se juntar à União Europeia.

Os opositores da independência temem que a recuperação possa ser prejudicada após a pandemia. Para o chefe dos conservadores escoceses, Douglas Ross, um novo referendo seria uma "distração". De acordo com o trabalhista Anas Sarwar, um dentista de 37 anos, o país  precisa de formuladores de políticas "que queiram unificar" o Reino Unido, e "não dividi-lo".

Apoio crescente

No sistema híbrido, os eleitores votam duas vezes: em um candidato de sua circunscrição e em um partido. No total, 56 deputados do Parlamento local são eleitos pelo sistema proporcional. É nesta fase que se concentra Alex Salmond, o antecessor de Nicola Sturgeon à frente da Escócia e do SNP.

Seu recém-criado partido, o Alba, com o qual pretende formar uma "supermaioria" pró-independência, vem ganhando apoio crescente de acordo com as últimas pesquisas. Nicola Sturgeon o acusa de "brincar com o futuro do país". A primeira-ministra e seu ex-mentor entraram em confronto público sobre como lidaram com as acusações de agressão sexual, das quais Salmond acabou sendo absolvido.

Em seu programa, o SNP argumenta que a independência permitirá que a Escócia controle sua economia, se comprometendo com a criação de novos empregos verdes e com o apoio às start-ups. A legenda também insiste na necessidade de o setor da pesca poder ter acesso ao mercado único europeu. Já os conservadores alegam que a independência vai "prejudicar" a economia.

(RFI e AFP)

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