Estudantes de Oxford removem retrato da Rainha por representar a 'história colonial'

A rainha Elizabeth II.
A rainha Elizabeth II. REUTERS/Andrew Milligan/Pool

Estudantes da prestigiosa universidade inglesa de Oxford causaram polêmica na quarta-feira (9) ao removerem um retrato da Rainha Elizabeth II de uma sala, alegando que a fotografia representaria o colonialismo, uma decisão descrita como "absurda" pelo Ministro da Educação.

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Por Daniel Postico, correspondente da RFI em Londres

A decisão foi tomada por alunos do Magdalen College, de Oxford, por meio de votação. Eles decidiram remover um retrato de Elizabeth II quando jovem, argumentando que este pode deixar desconfortáveis visitantes ou estudantes de ex-colônias britânicas, já que a rainha representa a "história colonial recente".

"Para alguns estudantes, as representações da rainha e da monarquia britânica simbolizam uma história colonial recente", argumentaram os membros do comitê da Middle Common Room (MCR) da Magdalen College, uma associação de estudantes de pós-doutorado que votaram a favor da retirada do retrato.

A decisão gerou uma forte polêmica, já que muitos cidadãos consideram a rainha um símbolo nacional. Desde os protestos contra o racismo na última primavera europeia, instaurou-se uma tendência a remover estátuas relacionadas à escravidão e ao colonialismo. Em resposta, o governo se antecipa em aprovar leis para preservar os monumentos e a história do país.

O ministro da Educação, Gavin Williamson, classificou a remoção do retrato como "simplesmente absurda".

Elizabeth II, que completará 70 anos no trono no ano que vem, "é a chefe de Estado e simboliza o melhor do Reino Unido. Durante seu longo reinado, ela trabalhou incansavelmente para promover os valores britânicos de tolerância, abertura e respeito todo o mundo", escreveu Williamson no Twitter na noite desta terça-feira (8).

A reitora da universidade, Dinah Rose, deixou claro que se trata de uma decisão dos alunos, e que nada tem a ver com a gestão da instituição de ensino. Ela declarou que os alunos estão em idade de desenvolver suas ideias, se rebelar contra os mais velhos e provocar. E garantiu que o retrato da rainha ficará guardado em local seguro.

"Não se adotou nenhuma posição sobre a Rainha ou a Família Real; a conclusão foi simplesmente que havia melhores lugares para pendurar esta imagem", enfatizou.

"Como se atrevem!"

"Como se atrevem!", destaca o tabloide Daily Express em referência aos alunos. A rainha se tornou "a última vítima da 'cultura do cancelamento'", lamenta o jornal conservador The Telegraph.

O presidente do MCR, Matthew Katzman, declarou ao Mail Online que a medida “foi tomada após um debate sobre a finalidade do referido espaço, e foi decidido que a sala deveria ser um local acolhedor e neutro para todos os membros”.

“Ser estudante significa mais do que estudar. É explorar e debater ideias diferentes. Às vezes, é provocar a geração mais velha”, ele tuitou, antes de acrescentar: “Não parece que isso seja muito difícil de fazer hoje em dia”.

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