Milhares de pessoas vão às ruas na França em protestos contra a extrema direita

Protestos foram realizados em 140 cidades francesas, para lembrar que, como diz o cartaz, "hoje, como ontem, [é preciso] combater as ideias da extrema direita"
Protestos foram realizados em 140 cidades francesas, para lembrar que, como diz o cartaz, "hoje, como ontem, [é preciso] combater as ideias da extrema direita" AP - Lewis Joly

Militantes políticos, sindicatos, associações e ativistas ambientais protestaram juntos neste sábado (12) em 140 cidades da França para criticar "ataques às liberdades" que estão aumentando, segundo denunciam, graças à ascensão da extrema direita no país.

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Os manifestantes denunciam a banalização da extrema direita na França e criticam a instauração de leis que consideram contrárias às liberdades individuais.

Segundo dados do ministério francês do Interior, 37 mil pessoas participaram dos cortejos pelo país, dos quais 9 mil na capital. Já de acordo com os organizadores, 150 mil manifestantes desfilaram pela França, quase metade deles apenas na capital. 

O ato parisiense foi marcado por um incidente antes mesmo do inicio da passeata. O chefe do partido da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, foi agredido por um homem, que jogou farinha em seu rosto. Ao denunciar um ato "covarde", que "poderia ter sido pior", o político denunciou "grande tensão" e "um limiar que foi ultrapassado".

O episódio acontece menos de uma semana após o presidente francês Emmanuel Macron ter levado um tapa no rosto de um manifestante durante uma visita oficial no sudeste do país.

A “Marcha das Liberdades” é uma espécie de grande retomada para ativistas de todos os setores, após um ano e meio de crise sanitária que complicou a organização de manifestações. Ao todo, mais de 100 organizações estavam representadas no protesto deste sábado.

“Este é o ponto de partida, espero, de uma mobilização não só contra as organizações de extrema direita, mas contra as ideias da extrema direita”, explicou o ex-candidato da última eleição presidencial, o socialista Benoît Hamon. Ele alerta que essas ideias "não são mais monopólio de partidos de extrema direita e se espalharam amplamente na classe política".

Em Nantes, na região da Alta Bretanha, cerca de 900 pessoas participaram do protesto, de acordo com os cálculos da prefeitura, incluindo uma centena de partidִários de extrema esquerda que entraram em confrontos com a polícia.

Em Avignon, no sudeste do país, 270 pessoas, segundo a polícia, se manifestaram, incluindo o secretário-geral do Partido Socialista, Olivier Faure. “Há uma banalização do discurso do RN (Reunião Nacional, partido da extrema direita, liderado por Marine Le Pen) que hoje está às portas de nossa região”. Porém, “uma virada ainda é possível, acrescentou o ecologista Jean-Pierre Cervantes, líder da lista sindical de esquerda em Vaucluse (sudeste), poucos dias antes das eleições regionais em 20 e 27 de junho.

Para Thomas Portes, presidente do Observatório Nacional de extrema direita, “o povo [de esquerda] está farto de levar pancadas”.

A diversidade da mobilização, no entanto, não esconde as divisões que atingem a esquerda francesa, seja em relação ao laicismo, liberdades e segurança, o que parecia algo inconcebível havia vários anos.

A participação dos dirigentes socialistas Olivier Faure, do comunista Fabien Roussel e do potencial candidato ecologista à presidencial, Yannick Jadot, na manifestação dos policiais em frente à Assembleia Nacional, no dia 19 de maio, abalou profundamente a estrutura dos partidos de esquerda.

(Com informações da RFI)

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