Líderes do G7 se concentram na emergência climática

A cúpula na Inglaterra é a primeira oportunidade de um encontro presencial dos líderes do G7 em dois anos.
A cúpula na Inglaterra é a primeira oportunidade de um encontro presencial dos líderes do G7 em dois anos. Leon Neal POOL/AFP

No terceiro e último dia da Cúpula do G7 na Inglaterra, as maiores economias do planeta analisam neste domingo (13) os desafios da emergência climática.  Além do aquecimento global, o grupo também estuda soluções para o mundo pós-pandemia.

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O tempo está se esgotando, advertiu o famoso naturalista britânico David Attenborough, de 95 anos. "As decisões que tomarmos durante esta década, especialmente as decisões das nações economicamente mais avançadas, estarão entre as mais importantes da história da humanidade," alertou.

As apostas são altas para o Reino Unido, que quer lançar as bases para um consenso alguns meses antes da grande conferência sobre o clima da ONU (COP26), que acontecerá em Glasgow, em novembro.

O objetivo é limitar o aumento da temperatura média do planeta a menos de 1,5 ° C em comparação com o período pré-industrial, um limiar a partir do qual os cientistas acreditam que as mudanças climáticas sairão do controle.

Para isso, os líderes do G7 devem votar pela redução de cerca de metade de suas emissões de gases de efeito estufa até 2030, uma meta que alguns países pretendem até superar.

O carvão está na mira das decisões diplomáticas, principalmente as usinas movidas a esse combustível fóssil, o mais poluente, a menos que haja medidas de compensação ambiental, como a captura de CO2.

Nesse contexto, os líderes planejam assinar um cheque de até US $ 2 bilhões para apoiar a transição verde em países menos favorecidos. "Proteger o nosso planeta é a coisa mais importante que podemos fazer por nosso povo como líderes. Há uma relação direta entre reduzir emissões, restaurar a natureza, criar empregos e garantir o crescimento econômico de longo prazo", disse o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

O assunto também está sendo analisado no contexto do vasto plano de infraestrutura global apresentado no sábado (11) para obras em países da África, Ásia e América Latina, a fim de estimular o crescimento verde.

O G7 ainda se comprometerá a aumentar suas contribuições para o objetivo de financiar as políticas climáticas dos países pobres, na ordem de US $ 100 bilhões por ano, até 2025.

Outra preocupação é diminuir o declínio da biodiversidade até 2030, protegendo pelo menos 30% de terras e mares, enquanto Londres lançará um fundo de £ 500 milhões (mais de € 582 milhões) para a preservação dos oceanos.

Para ativistas ambientais, no entanto, esses anúncios são muito modestos. Eles pedem mais ação e menos palavras, conforme lamentou o Greenpeace, enquanto a Extinction Rebellion chamou a cúpula de um "fracasso".

Frente contra novas pandemias

O G7 também adotou um plano de batalha para prevenir futuras pandemias. Os líderes se comprometem a fornecer um bilhão de doses da vacina contra a Covid-19 no próximo ano e a trabalhar com o setor privado e os países do G20 para aumentar ainda mais essa contribuição. A medida deve fazer parte do comunicado oficial que será divulgado ao fim do evento.

Concorrência chinesa

Reunido na Cornualha desde a sexta-feira (11), o grupo tem se mostrado unido diante da concorrência da China e a influência da Rússia. O que não agradou a Pequim.

Diante da pressão dos países do G7, um porta-voz da Embaixada da China em Londres declarou que “a época em que um "pequeno grupo de países decidia o destino do mundo acabou há muito tempo”. A afirmação é uma resposta à vontade expressa pelos membros do G7 de adotar uma posição forte e conjunta frente as ambições do gigante asiático.

(Com informações da AFP).

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