Espanha: polícia busca corpo de menina que pai teria matado para se vingar da mãe

Desenho em memória da pequena Olívia, de seis anos, que teria sido morta pelo pai.
Desenho em memória da pequena Olívia, de seis anos, que teria sido morta pelo pai. REUTERS - BORJA SUAREZ

As autoridades espanholas retomaram, nesta segunda-feira (14) nas ilhas Canárias, as buscas pelo corpo de Anna, de apenas um ano, e de seu pai, Tomás Gimeno, principal suspeito de sua morte. 

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A polícia já havia encontrado o cádaver de sua irmã, Olivia, de seis anos, no dia 10 de junho, na mesma região, na cidade de Santa Cruz de Tenerife. O corpo da menina estava dentro de um sacola presa por uma âncora a mais de mil metros de profundidade. As investigações indicam que ela também foi assassinada por Gimeno, que queria causar uma "dor atroz" na mãe das crianças. 

O caso provocou uma comoção nacional. Centenas de pessoas fizeram um minuto de silêncio nesta segunda-feira em frente às prefeituras de várias cidades espanholas, em homenagem às crianças. "Toda a Espanha está em estado de choque", disse na sexta-feira (11) o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez.

As duas meninas desapareceram no dia 27 de abril, depois de serem levadas pelo pai. De acordo com a juíza encarregada do caso, a hipótese mais provável é que Tomas Gimeno tenha matado suas filhas em casa antes de jogar seus corpos no mar, em uma área profunda. "Ele queria inflingir à sua ex-companheira a maior dor que ela possa imaginar, uma dor atroz", disse a juíza. 

De acordo com ela, a mãe das duas meninas, Beatriz Zimmermann, rompeu há um ano com Tomas Gimeno, que não aceitou a separação, principalmente depois que ela encontrou um novo companheiro. Os dois estavam juntos desde a adolescência. Segundo um documento da Justiça que se tornou público, sua intenção não era raptar as meninas, mas matá-las seguindo "um esquema premeditado."

De acordo com a autópsia, a pequena Olivia sofreu uma "morte violenta", que provocou um edema agudo no pulmão. Anna, apesar do seu corpo ainda não ter sido encontrado, provavelmente morreu da mesma maneira que a irmã, acredita a Justiça.

Mãe publica carta

A mãe das duas meninas publicou uma carta na imprensa espanhola. No texto, ela diz que a morte de suas filhas "é o ato mais monstruoso que uma pessoa pode cometer: matar seus próprios filhos inocentes."

Ela diz esperar que a morte das meninas não tenha sido em vão. "Graças a elas, sabemos o que quer dizer a violência contra uma criança para atingir uma mulher", escreve, pedindo leis mais rígidas para proteger os menores. O inquérito foi transferido para um tribunal de Tenerife especializado em violência contra a mulher.

Na Espanha, 39 menores foram assassinadas por seus pais ou companheiros desde 2013, segundo dados do governo. Desde 2003, ano em que a Espanha começou a contar os feminicídios, 1.096 mulheres foram mortas pelo marido, sendo 18 desde o início deste ano.

Com informações da AFP

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