Depois de anunciar visita à Eslováquia em setembro, papa Francisco sofre cirurgia de diverticulite

O papa Francisco em sua oração dominical na janela da residência Santa Marta, para os fiéis reunidos sob um sol forte na Praça de São Pedro.
O papa Francisco em sua oração dominical na janela da residência Santa Marta, para os fiéis reunidos sob um sol forte na Praça de São Pedro. Alberto PIZZOLI AFP

O papa Francisco foi hospitalizado neste domingo (4) em Roma para se submeter a uma operação no intestino. O Vaticano informou que o pontifice de 84 anos foi admitido no hospital universitário Agostino Gemelli, na capital italiana, onde passará por uma "cirurgia planejada para corrigir uma estenose diverticular sintomática do cólon".

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A intervenção será comandada pelo professor Sergio Alfieri, chefe da unidade de cirurgia digestiva do estabelecimento médico. Um boletim médico será publicado ao final da operação. O papa sofre de uma inflamação potencialmente dolorosa dos divertículos, hérnias ou bolsas que se formam nas paredes do sistema digestivo e cuja frequência aumenta com a idade. Uma das possíveis complicações desse quadro é a estenose, que é um estreitamento do intestino.

Neste domingo ao meio-dia, ele ainda celebrou a tradicional oração dominical de Regina Coeli na janela da residência Santa Marta para os fiéis reunidos sob um sol forte na Praça de São Pedro. Francisco parecia em boa forma e animado, e anunciou uma visita oficial à Eslováquia de 12 a 15 de setembro, com uma breve passagem pela Hungria, país governado pelo primeiro-ministro populista de direita Viktor Orbán. A programação prevê a celebração de apenas uma missa em Budapeste. Esta será a segunda viagem do papa ao exterior em 2021, depois do Iraque, em março.

Nascido em 17 de dezembro de 1936 na Argentina, Jorge Bergoglio teve o lobo superior do pulmão direito removido aos 21 anos devido a uma pleurisia. Em um livro de entrevistas publicado em 2019, ele declarou "não ter medo da morte". Após a operação no pulmão, "nunca me senti limitado nas minhas atividades (...). Nunca senti cansaço ou falta de ar", assegurou.

Nos últimos anos, porém, Francisco teve que cancelar alguns compromissões e às vezes caminha com dificuldade. Com a idade avançada, ele sofre de problemas nos quadris e ciática.

Visita à Eslováquia em setembro

Mais cedo, na missa que celebrou no Vaticano para os fiéis, Francisco afirmou: "Estou feliz em anunciar que (...), se Deus quiser, irei à Eslováquia para uma visita pastoral". Na Eslováquia, ele visitará as cidades de Bratislava, Presov, Kosice e Sastin, informou o Vaticano em um comunicado.

"O programa da viagem será publicado oportunamente", acrescenta o comunicado, mas, ao que parece, Francisco não se reunirá com os responsáveis do governo húngaro durante sua breve estada em Budapeste.

O papa criticou em várias ocasiões o "populismo" e o "soberanismo" que, em sua opinião, são "atitudes de isolamento" que carregam as sementes de exclusão e rejeição, especialmente em relação aos migrantes, dos quais é um defensor. O tema da imigração é o mais espinhoso nas relações entre o papa e Orbán.

Além disso, em um momento em que a Hungria é alvo de fortes críticas de seus parceiros europeus por ter adotado uma legislação que proíbe a divulgação de conteúdo sobre homossexualidade a menores e traça um paralelo entre a comunidade LGBTQ+ e a pornografia, Francisco se manifesta regularmente contra a discriminação sofrida por pessoas com base na sua orientação sexual.

Quanto à Eslováquia, será a primeira visita de um pontífice a este país do antigo bloco soviético de maioria católica depois da de João Paulo II em 2003. Francisco recebeu a presidente da Eslováquia, Zuzana Caputova, em audiência em dezembro de 2020 no Palácio Apostólico. Caputova disse estar "muito feliz" com o anúncio deste domingo.

"Acredito que a presença do papa Francisco será uma mensagem de reconciliação e esperança para todos nós nesses tempos difíceis", escreveu no Facebook.

De acordo com Miro Kern, editorialista do jornal eslovaco Dennik N, a visita papal constitui "uma espécie de recompensa para a Eslováquia, como resultado de sua posição mais aberta aos migrantes". Isso não é impossível, explica o analista Juraj Marusiak. "O papa vem da América Latina, é normal que ele seja sensível a este assunto. Deve-se acrescentar que todos os governos eslovacos cultivaram até agora fortes laços diplomáticos com o Vaticano com grande sucesso", disse ele.

Com informações da AFP

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