Estudo revela caso de idosa belga que morreu após ser infectada por duas variantes do coronavírus

Novas descobertas sobre as variantes do coronavírus estão sendo apresentadas na edição de 2021 do Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, realizado virtualmente devido à pandemia.
Novas descobertas sobre as variantes do coronavírus estão sendo apresentadas na edição de 2021 do Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, realizado virtualmente devido à pandemia. © 网络照片 Getty Images/iStockphoto - ismagilov

Pesquisadores belgas revelaram no sábado (10) o caso inédito de uma mulher de 90 anos que morreu, no último mês de março, após ter sido contaminada simultaneamente por duas variantes: a britânica Alfa e a sul-africana Beta. Esse é um dos primeiros registros de coinfecção com linhagens preocupantes do coronavírus, aponta o estudo apresentado no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas. 

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A autora da pesquisa, a bióloga molecular Anne Vankeerberghen, afirma que o fenômeno está sendo "subestimado" pelos especialistas e precisa ser melhor estudado. A publicação foi apresentada na edição de 2021 do congresso, realizado virtualmente devido à pandemia de Covid-19. 

Em 3 de março de 2021, a idosa que não tinha antecedentes médicos em particular e não foi vacinada contra a Covid-19, foi internada no hospital OLV na cidade belga de Aalst, no norte do país, após uma série de quedas. No local, ela testou positivo para a Covid-19, mas apresentava inicialmente "um bom nível de saturação de oxigênio e nenhum sinal de dificuldade respiratória", segundo os pesquisadores. No entanto, "rapidamente desenvolveu sintomas respiratórios agravados e morreu cinco dias depois". 

Após vários exames e o sequenciamento do vírus, o hospital descobriu que a idosa havia sido infectada com duas linhagens que causam a Covid-19: uma originária do Reino Unido, chamada Alpha, e a outra inicialmente detectada na África do Sul, a Beta.

"As duas variantes estavam circulando na Bélgica na época [março de 2021], então é provável que a mulher tenha sido coinfectada por duas pessoas diferentes. Infelizmente não sabemos como ela foi contaminada", acrescentou Vankeerberghen.

O Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas lembrou que a existência da variante Alpha foi divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 14 de dezembro de 2020 e da Beta logo depois, em 18 dezembro. Nos meses seguintes, as duas linhagens se propagaram por dezenas de países

Sequenciamento é "crucial"

De acordo com a bióloga do hospital OLV em Aalst, "é difícil dizer se a coinfecção por duas variantes desempenhou um papel na rápida deterioração da condição do paciente". No entanto, para a autora do estudo, é "crucial" continuar realizando o sequenciamento e a análise deste fenômeno. 

O Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas lembrou que, no Brasil, dois casos de pessoas infectadas por duas variantes diferentes foram relatados em janeiro em um estudo. No entanto, o material ainda não foi publicado por nenhuma revista científica. 

(Com informações da AFP)

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