Em plena 5ª onda da pandemia, Espanha homenageia vítimas da Covid-19

Rei Felipe da Espanha durante homenagem às vítimas da Covid-19 no país, que enfrenta a 5ª onda da pandemia
Rei Felipe da Espanha durante homenagem às vítimas da Covid-19 no país, que enfrenta a 5ª onda da pandemia REUTERS - JAVIER BARBANCHO

A Espanha prestou nesta quinta-feira (15) uma homenagem solene às vítimas da Covid-19 e seus profissionais da saúde, no momento em que o país enfrenta uma quinta onda de infecções, especialmente entre os jovens, apesar da boa taxa geral de vacinação.

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"Estou aqui hoje, porque meu pai não está", disse em um discurso emocionado María Díaz Diñeiro, filha do chefe do serviço de Cirurgia Geral do hospital La Paz em Madri, que morreu de Covid-19 em abril de 2020. "Não pudemos lhe dar o último abraço, um aperto de mão (...) Mas não há sombra sem luz, e a esperança está aí: a vacina nos permite ter esperança num futuro melhor", acrescentou.

Presidida pelo rei Felipe VI, a cerimônia teve início às 9h (4h de Brasília) no pátio do Palácio Real de Madri perante mais de 700 pessoas, incluindo a família real, membros do governo, familiares das vítimas e representantes do setor da saúde. "A evolução da pandemia nos lembra constantemente que devemos continuar com os cuidados com a saúde e que a recuperação depende de todos", disse o rei em seu discurso diante de uma chama acesa em sinal de luto.

A cerimônia é realizada um ano após a primeira homenagem aos mortos pela poderosa primeira onda da pandemia, que atingiu fortemente a Espanha. Até quarta-feira (14), o coronavírus deixou 81.043 mortos no país, segundo dados do Ministério da Saúde, e mais de quatro milhões de casos confirmados.

A volta do toque de recolher

Quando acreditava que a saída da crise já estava à vista, a Espanha sofreu um novo revés e enfrenta, atualmente, uma verdadeira explosão de infecções, devido à propagação da variante Delta. Agora, os casos são registrados principalmente entre os mais jovens, ainda pouco vacinados. Entre a população espanhola de 20 a 29 anos, a incidência cumulativa é de 1.508 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias.

Para enfrentar esta quinta onda, várias regiões, como a Catalunha, pediram à Justiça autorização para restabelecer o toque de recolher noturno e decretar o fechamento dos espaços interiores das boates, assim como limitação das reuniões e do horário das atividades noturnas. "A situação é muito delicada", reconheceu o presidente regional catalão, Pere Aragonès, ao anunciar que seu governo pediu autorização judicial para que Barcelona e outras 157 localidades reinstaurem o confinamento entre 1h e 6h, a partir do fim de semana, por sete dias, seguindo os passos da vizinha Comunidade Valenciana, que já obteve permissão.

A Catalunha acelera, assim, o processo de endurecimento das medidas restritivas iniciado na semana passada, quando decretou a proibição de atividades noturnas em espaços fechados por 15 dias. A decisão foi tomada depois da explosão de infecções que se seguiram à tradicional festa de San Juan e à reabertura das boates, no fim de junho.

As medidas restritivas provocam polêmica, principalmente após a surpreendente decisão do Tribunal Constitucional que, na quarta-feira (14), declarou inconstitucional o instrumento jurídico utilizado pelo governo para impor confinamento domiciliar em 2020. Na época, a Espanha instaurou um dos dispositivos mais rígidos do mundo.

O aumento explosivo de casos não se traduz, no entanto, em aumento de mortes, e a pressão hospitalar continua muito menor do que nas ondas anteriores, graças ao bom ritmo da campanha de vacinação. Dos mais de 47 milhões de espanhóis, 60% receberam pelo menos uma dose da vacina até quarta-feira, e 47,4% já foram totalmente imunizados, segundo dados do Ministério da Saúde.

(Com informações da AFP)

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