Inundações no norte da Europa deixam mais de 100 mortos e 1.300 desaparecidos

Em Erftstadt-Blessem, as fortes chuvas deixaram uma imensa cratera que engoliu várias residências e veículos. Imagem de 16/07/2021.
Em Erftstadt-Blessem, as fortes chuvas deixaram uma imensa cratera que engoliu várias residências e veículos. Imagem de 16/07/2021. AP - Rhein-Erft-Kreis

As inundações provocadas pelas chuvas torrenciais dos últimos dias no norte da Europa já deixaram quase cem mortos. No oeste da Alemanha, o país mais afetado pelas enchentes, pelo menos 93 pessoas morreram e cerca de 1.300 estão desaparecidas.

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Os estados de Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado, no oeste da Alemanha, são os mais atingidos pelas inundações. Essa é a pior catástratofe natural vivida pelo país nos últimos 20 anos. As autoridades estão sem notícias de 1.300 moradores da região vinícola de Ahrweiler, ao sul de Colônia, como se um tsunami tivesse passado pelo local.

Em Euskirchen e Erftstadt-Blessem, casas inteiras desabaram na manhã desta sexta-feira (16). Em imagens divulgadas pelas autoridades desta região, uma cratera pode ser vista, sob um mar de lama e entulho.

"Jamais vi uma coisa parecida com isso em toda a minha vida. É um rio de lama em fúria", afirmou Winfried Köller à TV local WDR. Ele foi socorrido em Hagen, depois de ter ficado trancado dentro de seu carro.

A polícia local e bombeiros pedem a familiares que enviem vídeos com imagens das residências e dos desaparecidos para ajudar nas operações de busca. No entannto, a rede de telefonia celular está cortada em vários setores, o que dificulta os trabalhos de resgate.

"Estamos recebendo ligações de muitas casas, mas não estamos dando conta de enviar ajuda", explicam as autoridades locais. O balanço de vítimas deve aumentar após esses desabamentos. "Muitas pessoas estão desaparecidas e vários óbitos foram confirmados", declarou uma porta-voz da prefeitura de Erftstadt-Blessem.

Estradas bloqueadas

Pacientes e idosos foram retirados preventivamente de hospitais e casas de repouso. Os transportes ferroviário, rodoviário e fluvial também estão prejudicados. Os socorristas têm dificuldades para acessar vários locais atingidos porque diversas estradas estão bloqueadas.

A Alemanha registrava, até a manhã desta sexta-feira, 93 mortos. "Temo que vejamos a catástratofe se estender nos próximos dias", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, em Washington, onde realiza uma visita oficial. 

O oeste do país receia ser palco de novas enchentes nesta sexta-feira. Perto da fronteira com a Bélgica, a barragem de Rurtalsperre está prestes a ceder.

"É uma catástrofe única e sem precedentes", afirma Gerd Landsberg, diretor de uma associação municipal de Ahrweiler. "Avaliando os estragos, milhares de euros estão em jogo", reiterou. 

12 mortos na Bélgica

Na Bélgica, que também é palco de chuvas torrenciais e inundações, o balanço de mortos subiu para 12 vítimas fatais e pelo menos cinco desaparecidos. Cerca de 21 mil domicílios estão sem eletricidade. 

A região da Valônia, onde se fala francês, foi particularmente castigada pelas precipitações e rios que saíram do leito. A França enviou bombeiros para ajudar no resgate das vítimas. 

Os moradores do centro de Liège, quarta maior cidade da Bélgica, tiveram que ser retirados do local depois que o rio Meuse transbordou e inundou bairros inteiros. Viviers e a cidade termal de Spa ficaram sob as águas.  

Os vizinhos Holanda e Luxemburgo também sofrem com as chuvas e, até o momento, registram danos materiais. 

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