Merkel promete melhorar sistema de alerta de inundações após novo balanço de mortos na Alemanha

Vista aérea de bairro parcialmente destruído pelas enchentes em Erftstadt, no oeste da Alemanha.
Vista aérea de bairro parcialmente destruído pelas enchentes em Erftstadt, no oeste da Alemanha. AFP - SEBASTIEN BOZON

O governo de Angela Merkel prometeu nesta segunda-feira (19) melhorar o sistema nacional de alerta para catástrofes, muito criticado durante as recentes inundações, por não terem avisado de maneira suficientemente rápida a população em perigo. O balanço de vítimas aumentou para 165 mortos.

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A Alemanha continua em estado de choque com o maior desastre natural na história recente do país. De forma geral, os sistemas de alerta, como o aplicativo de smartphone "Nina", "funcionaram", afirmou a porta-voz do governo Martina Fietz. "Mas a experiência que tivemos durante esta catástrofe mostra que temos que fazer mais e mais rápido", admitiu.

O Serviço de Proteção Civil está sendo questionado por não ter sido suficientemente eficaz para alertar a população residente em zonas inundáveis, ante a gravidade das cheias. Seu presidente, Armin Schuster, garante que a instituição enviou cerca de 150 alertas por meio de aplicativos e também à mídia. Mas as chuvas torrenciais seguidas das cheias de rios e afluentes causaram a queda de antenas de telecomunicações e cortes de energia elétrica. Por isso, o presidente da proteção civil defendeu "a volta das antigas sirenes" de advertência, para não deixar tudo nas mãos das ferramentas digitais. 

Outro tema que veio à tona com a tragédia é a questão da divisão das atribuições da proteção civil dentro deste país federal, onde se espera que as regiões atuem na linha de frente. Algumas organizações ecologistas defendem uma gestão mais centralizada. Algo que o ministro do Interior, Horst Seehofer, rejeitou nesta segunda-feira. 

O candidato dos conservadores à sucessão de Merkel nas eleições legislativas de setembro, Armin Laschet, prometeu melhorar o sistema de prevenção de catástrofes. O tema será discutido nos próximos dias entre os 16 estados do país, os municípios e a administração federal.

Renânia-Palatinado tem o maior número de vítimas

Diariamente, o total de vítimas aumenta. Pelo menos 165 pessoas morreram, de acordo com um balanço atualizado divulgado nesta segunda-feira, que também cita vários desaparecidos.

Na região de Renânia-Palatinado, a mais afetada pela tragédia, o número de mortos subiu para 117, contra 112 registrados anteriormente, e há 749 feridos, de acordo com autoridades de Koblenz. Já em Renânia do Norte-Vestfália, o segundo estado mais atingido pelas enchentes, o balanço divulgado no domingo (18) informou "pelo menos" 47 mortes. Na região da Baviera, sul do país, onde houve grandes inundações no fim de semana, uma morte foi registrada.

No domingo (18), a chanceler Angela Merkel visitou a localidade de Schuld, perto de Bonn, onde a cheia do rio Ahr provocou a destruição de parte do centro histórico. A partir de quarta-feira (21), o governo concederá verbas emergenciais aos desabrigados de pelo menos € 300 milhões (mais de R$ 1,8 bilhão), antes de elaborar um amplo programa de reconstrução de bilhões de euros.

Com informações da AFP

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