Passaporte sanitário europeu não trouxe ainda unidade sobre medidas de combate à Covid-19

O jornal Le Monde escreve que, desde o surgimento da pandemia, a União Europeia tem tido dificuldades de gerenciar as fronteiras de maneira coordenada.
O jornal Le Monde escreve que, desde o surgimento da pandemia, a União Europeia tem tido dificuldades de gerenciar as fronteiras de maneira coordenada. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

Os jornais franceses desta sexta-feira (30) abordam as diferenças entre os estados-membros da União Europeia (UE) quando o assunto é o passaporte sanitário. Se nenhum deles fechou suas fronteiras diante da propagação da variante Delta do coronavírus, os países do norte do continente são mais exigentes. 

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O jornal Le Monde escreve que, desde o surgimento da pandemia, a União Europeia tem tido dificuldades de gerenciar as fronteiras de maneira coordenada. 

Sob pressão dos países do sul do bloco, que desejam aproveitar a temporada de verão após meses de confinamento e restrições que prejudicaram a economia, os 27 estados-membros da UE colocaram em prática, no dia 1° de julho, o passaporte sanitário europeu. O documento digital indica se uma pessoa está totalmente vacinada há mais de 14 dias, se testou negativo para Covid-19 nas últimas 72 horas por um teste PCR (ou 48 horas para os testes antigênicos) ou se contraiu a doença nos últimos seis meses e, portanto, tem anticorpos.

Desde que esteja numa dessas situações, qualquer cidadão europeu tem, em teoria, o direito de viajar no bloco sem restrições. Porém, como destaca o diário, nada está garantido, uma vez que os países têm soberania quanto a questões de fronteiras. 

As diferenças começam no prazo exigido para os testes anticovid, que varia de um país para o outro. Por exemplo: a Holanda exige, para fugir da quarentena, um teste de menos de 48 horas. Na França, um teste de menos de 24 horas é exigido para os não vacinados que venham do Reino Unido, Portugal, Chipre, Grécia e Holanda. 

A reportagem explica que, de maneira geral, os países turísticos como Itália e Espanha são os menos exigentes e aceitam as normas tal como propostas pela UE, enquanto os países do norte europeu se preocupam com o retorno de seus cidadãos após as férias. É o caso da Alemanha, que impôs quarentena de 10 dias aos cidadãos alemães que voltem do Mediterrâneo, ou seja, nesse caso, o teste apenas não basta. 

Alemanha endurece regras

Além disso, a partir de 1° de agosto, todo viajante não vacinado que chegar à Alemanha vai ter que apresentar teste negativo, mesmo que tenha anticorpos após já ter contraído a Covid-19.

Na Espanha, a Galícia e as Ilhas Canárias exigem o passaporte sanitário europeu para certas atividades, como discotecas e mesmo restaurantes nas áreas mais atingidas pela pandemia. Assim como os hotéis de Portugal também exigem o documento.

Na Itália, as regras ficarão mais rígidas a partir de 6 de agosto para eventos esportivos, cinemas e salas de espetáculos. 

A França foi o primeiro país europeu a exigir a apresentação do passaporte sanitário para locais de cultura e lazer e, em breve, para bares, restaurantes e viagens longas de trem, avião ou ônibus.

Os profissionais da cultura, no entanto, reclamam que a exigência fez cair em 70% a frequentação dos cinemas, como explica reportagem do jornal Libération

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