Assassinato de jovem por um 'antimáscara' provoca indignação na Alemanha

Manifestção antimáscara na Alemanha, convocada pelo movimento "Querdenker", que reuniu quase mil pessoas em Frankfurt em novembro de 2020, foi dispersada pela polícia com jatos de água.

En Allemagne, près d'un millier d'anti-masques avaient défilé samedi à Francfort à l'appel d'un collectif «Libre penseur». La police a utilisé des canons à eau pour disperser des contre manifestants.
Manifestção antimáscara na Alemanha, convocada pelo movimento "Querdenker", que reuniu quase mil pessoas em Frankfurt em novembro de 2020, foi dispersada pela polícia com jatos de água. En Allemagne, près d'un millier d'anti-masques avaient défilé samedi à Francfort à l'appel d'un collectif «Libre penseur». La police a utilisé des canons à eau pour disperser des contre manifestants. Boris Roessler/dpa via AP

O assassinato de um jovem com um tiro à queima-roupa por um opositor às restrições sanitárias provoca uma verdadeira onda de choque na Alemanha. Em plena campanha eleitoral, a classe política é a primeira a denunciar a radicalização de uma parte do movimento hostil às medidas anticovid no país.

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Com informações do correspondente da RFI na Alemanha, Pascal Thibault

O crime aconteceu no último sábado (19). O cliente entrou no posto de gasolina, na região de Renânia-Palatinado (oeste), para comprar cerveja sem máscara. O jovem estudante que estava no caixa se recusou a atendê-lo enquanto ele não colocasse a proteção.

O homem de 49 deixou o local irritado. Ele voltou um pouco depois, desta vez de máscara, mas tirou a proteção para provocar uma reação do caixa. O jovem solicitou novamente que o cliente colocasse o acessório corretamente. O homem tirou então um revólver do bolso e atirou, matando o funcionário à queima-roupa.

O homem, que não tinha antecedentes criminais, se entregou à polícia no domingo (19). Ele declarou que se sentia "encurralado" pelas medidas adotadas pelo governo contra a pandemia de Covid-19 porque as considera uma "crescente violação de seus direitos" e que não viu "outra saída". Ele é natural de Idar-Oberstein (oeste) e está em detenção provisória.

Os investigadores encontraram a arma do crime no apartamento do homem, assim como outras armas de fogo e munições.  

Comoção

O assassinato gerou muita comoção na Alemanha. Em plena campanha eleitoral, os candidatos à sucessão da chanceler Angela Merkel condenaram o crime. O social-democrata, Olaf Scholz, afirmou que está "em choque que alguém tenha sido morto por querer se proteger e proteger os outros". "Como sociedade, temos que nos opor com firmeza ao ódio. O autor do crime deve ser punido com severidade", acrescentou o político, apontado como favorito nas pesquisas para suceder Merkel.

A candidata ecologista Annalena Baerbock reagiu de maneira similar: "Estou chocada com o terrível crime contra um jovem que apenas pedia para alguém seguir as regras em vigor, ser prudente e mostrar-se solidário", afirmou.

Reações do governo

O ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, acusou o movimento “Querdenker” (ou “livres pensadores”), que há 18 meses faz manifestações contra as restrições sanitárias. O grupo se radicalizou como tempo e, nas redes sociais, seus integrantes comemoraram o assassinato do jovem estudante.

A polícia não indicou se o assassino faz parte do movimento, que reúne adeptos de teorias da conspiração, críticos da vacinação e partidários da extrema direita.

A ministra da Agricultura, Julia Klöckner, do partido conservador CDU de Merkel na região de Renânia-Palatinado, onde aconteceu o assassinato, chamou o crime de "impactante".

Desde sábado, moradores da região colocam flores e velas no posto de gasolina.

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