Antissemitismo na Europa: Grécia, Polônia e Hungria são países com maior preconceito contra judeus

A Polônia, sede do campo de exterminação nazista de Auschwitz-Birkenau, é um dos países em que o antissemitismo é mais difundido na Europa
A Polônia, sede do campo de exterminação nazista de Auschwitz-Birkenau, é um dos países em que o antissemitismo é mais difundido na Europa JANEK SKARZYNSKI AFP/File

Oito décadas após o Holocausto, o preconceito contra judeus continua presente e enraizado em parte da população da Europa. Grécia, Polônia e Hungria são os países que apresentam os maiores níveis de antissemitismo na população, mostra uma pesquisa realizada em 16 países da União Europeia e divulgada nesta terça-feira (12) pela Associação Judaica Europeia (EJA, na sigla em inglês).

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Mais de um terço dos gregos, dos poloneses (36%) e 30% dos húngaros entrevistados acreditam que "os judeus nunca serão capazes de se integrarem plenamente à sociedade".

A pesquisa, realizada pela empresa Ipsos, entrevistou 16 mil pessoas entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020 em 16 países da Europa.

Cerca de 36% dos gregos, 27% dos húngaros e 23% dos poloneses pesquisados tinham "sentimentos bastante negativos" em relação aos judeus, enquanto na Alemanha essa população representa 11% dos entrevistados e na França, 8%. Os números mais baixos foram registrados na Suécia e no Reino Unido (3%) e na Holanda (2%).

A velha teoria de que há uma “rede judaica secreta que influencia a economia e a política do mundo” é considerada verdadeira por 21% dos europeus. Na Grécia, essa afirmação é tida como correta pela maioria da população (58%).

Piora do sentimento

A pesquisa mostra ainda uma forte presença do pensamento revisionista na França, na Romênia, na Grécia e na Hungria. 24% dos romenos, 23% dos gregos, 21% dos húngaros, e 20% dos poloneses e dos frances concordam com a afirmação de que o número de judeus vítimas do Holocausto é menor do que aqueles apresentados pela sociedade.

Cerca de 28% dos gregos, 26% dos poloneses e 25% dos austríacos pesquisados disseram ter "uma antipatia crescente pelos judeus por causa das políticas de Israel".

"Os resultados preocupantes da pesquisa mostram que o antissemitismo está profundamente enraizado na Europa", disse o rabino Menachem Margolin, presidente da EJA, durante a reunião da entidade em Bruxelas.

A pesquisa entrevistou pessoas em 16 países: Áustria, Bélgica, República Tcheca, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Letônia, Holanda, Polônia, Romênia, Eslováquia, Espanha, Suécia e Reino Unido.

(Com informações das agências)

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