Covid-19: Alemanha registra novo recorde de casos e deve adotar restrições

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, durante uma reunião sobre a retomada epidêmica na Alemanha, em 3 de novembro
O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, durante uma reunião sobre a retomada epidêmica na Alemanha, em 3 de novembro Markus Schreiber Pool/AFP

A Alemanha registrou, nesta segunda-feira (8) uma taxa de incidência acumulada de 201 casos para cada 100 mil habitantes. Acima de 50, a epidemia é considerada fora de controle. Este é o maior índice desde o início da pandemia, há um ano e meio. O recorde anterior, de 197,6, era de 22 de dezembro de 2020, segundo o Instituto Robert Koch  (RKI).

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De acordo com as autoridades sanitárias alemãs, a situação obrigará os hospitais a adiar cirurgias para atender os pacientes contaminados pela Covid-19 que necessitam de internação. Christian Karagiannidis, diretor científico da associação interdisciplinar para os cuidados intensivos e a medicina de emergência declarou que a medida será necessária para liberar leitos nos estabelecimentos.

Apesar da alta do número de casos, o número de óbitos continua relativamente baixo. Nas últimas 24 horas, foram registradas 33 mortes.

A Alemanha já está sendo obrigada a transferir os pacientes das regiões mais afetadas, como é o caso do estado da Saxônia, no leste do país, onde a população é mais reticente à vacinação. Ele estão sendo levados para áreas do país onde a epidemia continua relativamente sob controle. 

As discotecas reabriram em Berlim em 4 de setembro.
As discotecas reabriram em Berlim em 4 de setembro. AFP - STEFANIE LOOS

No estado da Saxônia, onde a taxa de incidência é de 491,3, mais que o dobro do resultado nacional, as pessoas não imunizadas começam a enfrentar novas restrições a partir desta segunda-feira (8). O acesso a restaurantes e outros locais fechados serão restritos a pessoas com vacinação completa ou que consigam comprovar a recuperação pela Covid-19, como já é o caso na França, que instituiu em julho o passaporte sanitário.

Diante da retomada epidêmica, alguns dirigentes políticos, como o responsável da região da Baviera, Markus Söder, pediram ao governo federal que tome medidas rápidas, como o retorno do reembolso dos testes PCRs para toda a população ou a reabertura dos centros de vacinação.

A taxa de vacinação na Alemanha estagnou abaixo de 70% e as autoridades fazem um apelo para que os alemães procurem os postos de imunização. De acordo com o jornal Die Welt, os três partidos que formam a nova coalizão governamental (sociais-democratas do SPD, verdes e liberais do FDP) devem apresentar nesta segunda-feira propostas para controlar a quarta onda epidêmica. 

Terceira dose

O governo alemão e as regiões defenderam, nesta sexta-feira (5), a aplicação de uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 para conter o ressurgimento da pandemia no país. "O governo federal e os governos regionais concordam em que cada pessoa que tenha recebido sua segunda dose da vacina há seis meses, ou mais, pode ter um reforço", com uma terceira dose, declarou o ministro alemão da Saúde, Jens Spahn, em entrevista coletiva após uma cúpula de dois dias na Baviera (sul).

Segundo Spahn, idosos, pacientes com patologias prévias e profissionais da saúde devem ter prioridade, mas toda população poderá se beneficiar de uma terceira dose. "Os reforços depois de seis meses têm que se tornar a regra, e não a exceção", defendeu. A comissão de vacinação recomenda, atualmente, doses de reforço para pessoas com mais de 70 anos de idade.

Le centre de vaccination contre le Covid-19 de Marburg (Hesse) en Allemagne.
Le centre de vaccination contre le Covid-19 de Marburg (Hesse) en Allemagne. © Anne Verdaguer/RFI

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