Áustria decreta lockdown para não vacinados em iniciativa inédita na UE

Austríacos passam por uma placa que exige o uso da máscara FFP2 nas ruas de Viena em abril de 2021 (imagem ilustrativa).
Austríacos passam por uma placa que exige o uso da máscara FFP2 nas ruas de Viena em abril de 2021 (imagem ilustrativa). AP - Florian Schroetter

A Áustria confinará na segunda-feira (15) pessoas não vacinadas em uma iniciativa inédita na União Europeia (UE), para conter o número recorde de novos casos.

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 "A situação é grave (...). Não estamos tomando essa medida com o coração leve, mas, infelizmente, ela é necessária", disse o chanceler austríaco Alexander Schallenberg em entrevista coletiva em Viena, neste domingo (14).

Cerca de 65% da população recebeu um esquema de vacinação completo na Áustria, que é inferior à média europeia de 67%, e longe de países como Espanha (79%) ou França (75%).

Schallenberg descreveu essa taxa como "vergonhosamente baixa" quando mencionou o projeto de lockdown na sexta-feira. Concretamente, os não-vacinados não terão o direito de sair de casa, exceto para fazer compras, praticar esportes ou receber assistência médica. A medida é válida a partir dos 12 anos.

Fiscalizações não anunciadas "de magnitude sem precedentes" serão realizadas no espaço público, disse o governo, que estabelecerá patrulhas policiais adicionais.

Os infratores arriscam uma multa de € 500 euros e os que se recusarem a se submeter a fiscalizações deverão desembolsar cerca de € 1.450.

O governo austríaco vai avaliar o efeito dessas restrições em 10 dias, disse o ministro da Saúde, Wolfgang Mückstein, neste domingo, pedindo que os refratários sejam vacinados o mais rápido possível.

O Parlamento deve aprovar a medida à noite, no que parece ser uma simples formalidade.

Protestos

 Centenas de manifestantes se reuniram à tarde em frente à chancelaria, agitando cartazes dizendo "não à vacinação obrigatória". Os não vacinados já são proibidos de entrar em restaurantes, hotéis e salões de cabeleireiro.

"Estou aqui para enviar uma mensagem: devemos contra-atacar", disse Sarah Hein, 30, funcionária de um hospital em Viena. “Queremos trabalhar, queremos ajudar as pessoas, mas não queremos ser vacinados. Cabe a nós decidir”. “Nós prendemos pessoas que estão com boa saúde!”, disse outra manifestante, recusando-se a dar seu nome.

A cidade de Viena também se destacou dentro da UE ao lançar um programa de vacinação para crianças de 5 a 11 anos com o imunizante da Pfizer-BioNTech. Mais de 5.000 consultas foram marcadas no sábado para as primeiras injeções programadas para segunda-feira.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) está atualmente revisando os dados e ainda não deu sua aprovação definitiva para esta vacina infantil. No entanto, os países membros têm o direito de usar produtos não autorizados para responder a uma emergência de "saúde pública".

Também em Viena, para assistir a eventos festivos, culturais ou desportivos com mais de 25 pessoas ou para jantar fora, os não imunizados terão agora que apresentar um teste PCR, além do certificado de vacinação ou cura.

Mais de 13.000 novos casos de Covid-19 foram registrados no sábado neste país de 9,8 milhões de habitantes, o maior índice desde o início da pandemia, que matou 11.700 pessoas na Áustria.

A Europa é afetada por uma nova onda de pandemia que levou vários países a restabelecer as restrições, como na Holanda ou na Noruega.

Com informações da AFP

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