Futuro chanceler Olaf Scholz revela detalhes de aliança inédita com liberais e verdes na Alemanha

O social-democrata Olaf Scholz, líder da coalizão que assumirá o poder na Alemanha. Nesta quarta-feira (24), Scholz detalhou o acordo entre o SPD, os Verdes e os liberais do FDP
O social-democrata Olaf Scholz, líder da coalizão que assumirá o poder na Alemanha. Nesta quarta-feira (24), Scholz detalhou o acordo entre o SPD, os Verdes e os liberais do FDP © Associated Press

Dois meses após as eleições legislativas, os social-democratas, os verdes e os liberais anunciaram nesta quarta-feira (24) uma aliança inédita para suceder o longevo governo da conservadora Angela Merkel. A coalizão ficou conhecida na Alemanha como semáforo, por reunir o vermelho do partido SPD (social-democrata), o verde dos ecologistas e o amarelo do FDP liberal.

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À frente desta coligação, o social-democrata Olaf Scholz deve ser anunciado como novo chanceler no início de dezembro e já tem uma grave crise sanitária para enfrentar. O país continua registrando o aumento meteórico de casos de Covid-19 e alguns hospitais já chegam à saturação.

“A situação é séria”, admitiu Scholz durante o anúncio à imprensa sobre os detalhes do acordo, que prevê ter um grupo do governo dedicado especificamente à crise sanitária.

Entre os comunicados feitos nesta quarta, o futuro chanceler afirmou que o novo governo vai desbloquear € 1 bilhão para os trabalhadores da saúde.

Da esq. para dir., os líderes ecologistas Annalena Baerbock e Robert Habeck, Olaf Scholz, e o liberal Christian Lindner, do FDP
Da esq. para dir., os líderes ecologistas Annalena Baerbock e Robert Habeck, Olaf Scholz, e o liberal Christian Lindner, do FDP © ©AP Photo/Markus Schreiber

Conservador na economia, liberal nos costumes e ecologista

A aliança inédita entre os três partidos leva o nome: “Ousar mais progresso. Aliança pela liberdade, pela justiça e pela sustentabilidade” e nasce com três acordos importantes: a volta da política de rigor orçamentário a partir de 2023, a legalização da maconha recreativa para adultos e a antecipação do abandono do uso do carvão como fonte energética para 2030.

Na divisão de pastas, o Ministério das Finanças e o da Justiça serão comandados pelo partido liberal alemão. Enquanto o partido Verde ficará com o Ministério das Relações Exteriores e com a pasta responsável pelo Clima. Os social-democratas ficarão com os ministérios da Habitação, do Interior e da Defesa.

O acordo tornado público nesta quarta não nomeou os futuros ministros, mas o presidente dos liberais, Christian Lindner, é o mais bem cotado para a chefia das Finanças. Da mesma maneira, Annalena Baerbock, líder do partido Verde, seria a nova ministra das Relações Exteriores, e Robert Habeck, também Verde, seria o responsável pelo Clima.

Em relação à política externa, o novo governo de coalizão que assumirá a Alemanha pretende defender uma Europa soberana. Uma "Europa soberana é a chave e é um dever para nossa política externa", disse o social-democrata Olaf Scholz.

Quem é Olaf Scholz

O político que vai assumir o poder da Alemanha quando for empossado pelos membros do Bundestag, tem uma longa trajetória política, subindo desde os anos 1970 degrau a degrau todos os passos de uma carreira política.

Olaf Scholz aderiu ao SPD aos 17 anos de idade, quando flertava com os ideiais mais à esquerda do partido. Mais tarde, formou-se em direito e se especializou em direito do trabalho.

Aos 40 anos, foi eleito deputado. Quatro anos mais tarde, foi nomeado secretário-geral do SPD (2002-2004). Nessa posição, Scholz tinha que explicar todos os dias diante das câmeras os detalhes das reformas liberais impopulares do então chanceler Gerhard Schröder.

Criticado por um estilo de fala maquinal e burocrático, o futuro chanceler diz que a constatação não era falsa. "Sempre me fizeram as mesmas perguntas, e eu dei as mesmas respostas", alfinetou.

Em 2007, Scholz foi nomeado ministro do trabalho em um grande governo de coalizão sob a liderança de Merkel.

Em 2018, ele voltou a fazer parte de um novo governo de coalizão de Merkel, dessa vez como ministro das Finanças, e substituindo o ortodoxo democrata-cristão Wolfgang Schäuble, conhecido por sua gestão financeira inflexível.

(Com informações da AFP e da Reuters)

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