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França

Sindicatos desafiam Macron com novo dia de mobilização nacional contra reforma da Previdência

Manifestação em Marselha nesta terça-feira (10) contra o projeto da reforma da Previdência de Emmanuel Macron.
Manifestação em Marselha nesta terça-feira (10) contra o projeto da reforma da Previdência de Emmanuel Macron. REUTERS/Jean-Paul Pelissier
Texto por: RFI
6 min

A França enfrenta nesta terça-feira (10) o sexto dia de greve nos transportes e o segundo dia de mobilização nacional contra o projeto de reforma da Previdência, uma promessa de campanha do presidente Emmanuel Macron (centro).

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Os sindicatos esperam aumentar a pressão contra o governo na véspera do anúncio dos detalhes da proposta. Além dos metroviários e ferroviários, outras categorias cruzam os braços hoje, como professores, petroleiros, agentes da função pública e médicos residentes.

Nove das 14 linhas de metrô de Paris estão completamente fechadas, somente 25% dos ônibus circulam e os trens suburbanos estão fortemente afetados. No período da manhã, havia 380 km de congestionamentos na região metropolitana da capital.

 

A paralisação atinge 20% dos trens nacionais e internacionais. Um quarto dos trabalhadores do setor ferroviário (24,7%) estava em greve no período da manhã. Do total de grevistas, 77,3% eram condutores dos trens da companhia SNCF e 55,4% cobradores, segundo a direção da empresa.

A Air France cancelou 25% dos voos domésticos e 10% dos voos regionais, mas as voos internacionais de longa distância operam normalmente.

A participação dos professores, no entanto, está menor do que na semana passada. O Ministério da Educação aponta uma taxa de 12,41% grevistas no ensino fundamental e 19,41% no ensino médio, enquanto os sindicatos falam em uma adesão de 30% e 62%, respectivamente. O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, afirma que a mobilização é muito diferente de uma região para outra. "Paris, em particular, denota uma taxa de greve mais alta, cerca de 35%", disse o ministro. Na quinta-feira passada, eles eram 51% dos grevistas nas escolas primárias e 42% no ensino médio, taxas recordes desde 2003.

Passeatas contra sistema universal de pontos

Cerca de 250 manifestações estão previstas em todo o país. Os sindicatos esperam levar às ruas mais do que os 800.000 manifestantes registrados no primeiro dia do movimento, em 5 de dezembro. A greve irá durar no mínimo até esta quarta-feira (11), quando o primeiro-ministro Édouard Philippe deverá anunciar o conteúdo detalhado do projeto. Ele já antecipou que não haverá "anúncio mágico" capaz de acabar com o movimento grevista, uma vez que os contornos da reforma estão definidos.

A reforma desejada por Macron prevê a criação de um sistema universal de cálculo das aposentadorias por pontos, reunindo os trabalhadores dos setores público e privado, e a extinção da maioria dos 42 regimes especiais existentes.

Imprensa analisa mobilização

O jornal Le Figaro prevê uma "grande paralisação". O dia será de caos, não só na região parisiense, mas como em todo país. Além da greve no setor dos transportes públicos, iniciada na última quinta-feira e que não dá sinais de recuar, outros serviços serão afetados. A polícia teme novas cenas de violência nas passeatas encabeçadas pelas centrais sindicais.

O segundo dia nacional de mobilização contra a reforma da Previdência é a principal manchete dos jornais franceses nesta terça-feira (10).
O segundo dia nacional de mobilização contra a reforma da Previdência é a principal manchete dos jornais franceses nesta terça-feira (10). Fotomontagem RFI

O jornal de esquerda Libération observa que o movimento é forte na capital, mas também no interior do país. O protesto contra a redução dos direitos sociais é geral e vai além da reforma da Previdência, analisa o editorial. Como ocorreu no movimento dos "coletes amarelos", mais uma vez a desconfiança contra a classe dirigente e a política defendida pelo atual governo domina as intervenções. Uma revolta pacífica, mas determinada, contra o rumo ditado pela classe dominante à sociedade francesa. Se esta tendência for confirmada, as respostas racionais que o primeiro-ministro deve dar amanhã sobre a reforma das aposentadorias não serão suficientes, afirma o editorial de Libération.

Mas o governo parece pronto a fazer importantes concessões, revela Les Echos, entre elas o adiamento da entrada em vigor da reforma por até dez anos. As novas regras só começariam a valer para os franceses nascidos a partir de 1975, aponta o jornal econômico.

Enquanto isso, quem não faz greve e tenta ir ao trabalho, vive um novo dia de transtornos. A palavra de ordem é se virar, ensina o diário Le Parisien. Bicicleta, carona, teletrabalho, babá coletiva; o sistema alternativo funciona a todo o vapor. Por enquanto, os franceses estão solidários e apoiando o movimento contra a reforma da Previdência. Mas após seis dias de paralisação, a tensão começa a crescer nos poucos trens e metrôs que circulam lotados. Os motoristas se tornam mais agressivos diante dos enormes engarrafamentos nas ruas.

A população começa a temer que a greve estrague as festas de fim de ano. Se o movimento durar, fica difícil prever uma eventual mudança no apoio da opinião pública. Muitos comerciantes se sentem lesados, depois de um ano de manifestações dos "coletes amarelos". Às vésperas do Natal, muitos franceses optam por fazer as compras pela internet, mas o comércio eletrônico é o que menos contribui para o pagamento de impostos.

Contra sindicatos obstinados ou contra um governo hesitante? Como os demais jornais, Le Parisien questiona a estratégia de comunicaçao do governo, que negocia esse projeto há 18 meses com os sindicatos, mas não soube explicar e explicitar os passos da reforma para a opinião pública, criando incertezas e a sensação de uma oportunidade perdida.

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