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Greve/França

Apesar de transtornos, 66% dos franceses consideram "justificada" greve contra reforma da Previdência

Moradores de Paris são os mais prejudicados pela greve dos transportes públicos na França.
Moradores de Paris são os mais prejudicados pela greve dos transportes públicos na França. REUTERS/Eric Gaillard
4 min

O Natal na França será em ritmo de greve. Apesar de a paralisação dos transportes públicos prejudicar o cotidiano dos franceses, 66% acreditam que ela é "justificada". A mobilização já dura 15 dias e continua por tempo indeterminado. 

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O impasse nas negociações entre governo e sindicatos, que visavam acabar ou suspender o movimento de protesto contra a reforma da Previdência durante as festas de fim de ano, está estampado nas primeiras páginas de todos os jornais franceses desta sexta-feira (20).

A reação positiva dos franceses diante do movimento é confirmada por uma nova pesquisa de opinião do Instituto Odoxa e publicada pelo diário conservador Le Figaro. Segundo o levantamento, 66% dos entrevistados consideram a greve contra a reforma da previdência justificada. Motivo: a maioria dos franceses não tem confiança no governo.

A pesquisa também revela que a paralisação prejudica 48% dos franceses e 78% dos moradores de Paris, os que mais sofrem com a interrupção quase total do funcionamento dos transportes públicos. A nova geração (nascida a partir de 1975) é a que mais apoia a mobilização: 78%. Eles serão os mais afetados pelo projeto de reforma do governo, caso entre em vigor.

Ritmo lento

"Os trens em ritmo lento, as negociações também", destaca Libération. Os progressos nas discussões entre o primeiro-ministro francês, Edouard Philipe, e os representantes sindicais são mínimos. Uma nova jornada de mobilização nacional foi marcada para 9 de janeiro. Até lá, "os franceses vão ter que continuar se virando e a confusão não vai parar nas estações ferroviárias antes do feriado do Natal", prevê o diário.

Em seu editorial, Libé diz que o premiê francês assume um grande risco, o de humilhar o movimento sindical francês. Algumas centrais de trabalhadores exigem a retirada pura e simples do projeto de reforma que cria um sistema universal de aposentadoria por pontos. Outras pedem o abandono do aumento da idade da aposentadoria para 64 anos. Mas, depois de dois dias de discussões, o governo não cedeu e joga com o desgaste do movimento.

Le Figaro, Les Echos e Le Parisien ressaltam os pequenos avanços obtidos nas negociações. Edouard Philippe faz concessões, mas não cede sobre a necessidade da aposentadoria aos 64 anos. A justificativa para garantir o equilíbrio das contas da Previdência, mas, com essa resistência, o governo não consegue colocar um fim ao conflito.

"Trégua" de Natal

Apenas um sindicato importante, a SNCF - o segundo de maior representatividade da rede ferroviária francesa - decidiu fazer uma trégua na greve durante as festas de fim de ano. "Mas o tráfego de trens continuará afetado nos proximos dias", acredita Les Echos.

Le Parisien revela que nos bastidores, há sinais de novos compromissos. O primeiro-ministro francês pensa que "as discussões dos últimos dias permitiram avanços concretos" e propôs novas reuniões, no início de janeiro. A decisão de fazer uma trégua de um primeiro sindicato "pode trazer a retomada gradual do trafego ferroviário no Natal", espera Le Parisien.

Enquanto isto, a previsão é que 50% dos trens circulem na festa natalina. Nesta sexta-feira, 16° dia de greve, 50% dos trens bala nacionais e internacionais circulam e 25% dos regionais e suburbanos. O metrô de Paris funciona um pouco melhor do que quinta-feira (19): seis das 16 linhas permanecem completamente fechadas e oito funcionam parcialmente. Apenas duas linhas automáticas - a 1 e a 14 -não foram afetadas pela greve.

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