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A Semana na Imprensa

Livro denuncia famoso escritor francês pedófilo e critica conivência da mídia

Áudio 02:57
A revista M conta a história do escritor Gabriel Matzneff, acusado de pedofilia em um livro de Vanessa Springora.
A revista M conta a história do escritor Gabriel Matzneff, acusado de pedofilia em um livro de Vanessa Springora. Reprodução / Le Monde
Por: RFI
7 min

A revista M do jornal Le Monde traz em sua edição desta semana uma longa reportagem sobre um escândalo envolvendo o célebre escritor francês Gabriel Matzneff. O autor é acusado de pedofilia após ter mantido uma relação amorosa com uma garota de 14 anos quando, na época, ele tinha 50.

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O caso aconteceu em meados dos anos 1980, mas volta à tona agora, com a publicação do livro Le Consentement (O Consentimento, em tradução livre), assinado por Vanessa Springora. A autora é a garota com quem Matzneff passava tardes inteiras em um hotel após esperá-la na saída da escola. “Tenho a impressão que algo está errado em torno de mim quando ninguém se sente chocado com essa situação”, diz a autora que, só agora, 33 anos depois, teve coragem de contar sua versão da história.

O caso de Vanessa não era o único, já que Matzneff tinha outros jovens amantes, quase sempre adolescentes, e não escondia de ninguém as suas preferências sexuais. A tal ponto que um de seus livros, publicado em 1974, foi intitulado Les moins de seize ans, les passions schismatiques (As menores de dezesseis anos, paixões cismáticas, em tradução livre).

Le Monde lembra de entrevistas de Matzneff na televisão nas quais ele dizia claramente que “adolescentes e jovens crianças, entre 10 e 16 anos, já estão na idade de terem pulsões sexuais”. O autor insistia, diante das câmeras, que “não há nada mais bonito do que um adolescente que vive um amor, seja com alguém de sua idade ou com um adulto que o ajude a se descobrir”.

O livro de Vanessa Springora, que chega às livrarias no dia 2 de janeiro, chama a atenção para uma sociedade francesa permissiva, nos anos 1970 e1980, quando a mídia elogiava Matzneff sem questioná-lo sobre as consequências de suas relações sexuais com menores, frisa a reportagem. O texto lembra que a partir de 1977 o escritor teve até uma crônica semanal no jornal Le Monde.

Conivência do mundo literário

A reportagem também aponta uma certa conivência do mundo literário, “fascinado por esse homem culto, que ousava quebrar tabus e chocar os burgueses”. O texto lembra o contexto da época, quando “nos meios intelectuais e artísticos, defender a causa da pedofilia e militar pela revogação da maioridade sexual aos 15 anos era um combate de vanguarda”.

O autor não é incomodado até os anos 1990, quando uma jornalista canadense se revolta diante das câmeras, após uma apresentação do novo livro autobiográfico de Matzneff, no qual ele conta suas aventuras com meninas e meninos de até 11 anos. Na época, lembra a revista do Le Monde, boa parte dos intelectuais franceses defenderam o escritor e criticaram a jornalista. O autor continuou a publicar vários livros, muitos deles elogiados pelo mundo literário.

Agora, com a denúncia de Vanessa Springora, poucos querem falar sobre essa época, enfatiza a reportagem, mesmo se alguns insistem que “os tempos mudaram”. Já Gabriel Matzneff se recusa responder às acusações e diz apenas ser vítima de um “retorno do puritanismo”.

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