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França/Greve

Greve contra a reforma da Previdência afeta distribuição de combustível na França

A refinaria de Grandpuits, na região parisiense, está bloqueada desde o início da greve contra a reforma da Previdência na França.
A refinaria de Grandpuits, na região parisiense, está bloqueada desde o início da greve contra a reforma da Previdência na França. REUTERS/Christian Hartmann
Texto por: Adriana Moysés
4 min

A greve contra a reforma da Previdência na França completa nesta segunda-feira (30) seu 26° dia sem perspectivas de solução. O movimento deve continuar em princípio até o dia 7 de janeiro, quando governo e sindicatos têm prevista uma nova reunião de negociações sobre o projeto de reforma da Previdência. Além da paralisação nos transportes públicos, as refinarias e distribuidores de petróleo são um dos setores mais atingidos, afetando o abastecimento de combustível no país.

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Desde o dia 5 de dezembro, quando começou a greve contra a reforma da Previdência na França, os grevistas bloqueiam várias refinarias. Segundo a CGT, uma das principais centrais sindicais francesas, três das sete instalações do país não distribuem mais uma gota de combustível. Duas delas podem inclusive interromper a produção.

De acordo com dados de um site de usuários, o bloqueio provocava no domingo (29) a falta de gasolina somente em alguns postos na região metropolitana de Paris e na região da Côte d’Azur, no sudeste do país. Mas a indústria petrolífera e o governo descartam, por enquanto, qualquer risco ruptura no abastecimento e falam em uma situação quase normal. Eles pedem para os consumidores não entrarem em pânico e não encherem os tanques dos carros desnecessariamente.

Nesta segunda-feira, uma assembleia dos trabalhadores deve decidir se eles entram em greve e interrompem a produção na refinaria de Grandpuits, na região parisiense, cuja distribuição está bloqueada desde o início da greve.

Concessões

A CGT, que exige a retirada completa do projeto, acusa o governo de apostar na deterioração do movimento social para sufocar financeiramente os grevistas, que não recebem salário pelos dias parados. A central sindical constituiu, no entanto, um "tesouro de guerra". Uma vaquinha aberta pelo sindicato já recebeu mais de € 1 milhão de doações de franceses que apoiam o movimento.

O presidente Emmanuel Macron, que tem falado pouco sobre o conflito, fará um pronunciamento à nação na noite do 31 de dezembro, mas poucos analistas acreditam que ele fará concessões ao movimento antes da reunião prevista em janeiro.

Nos últimos dias, o governo demonstrou disposição de fazer concessões para alguns regimes especiais. Foi o caso dos bailarinos da Ópera de Paris, que receberam garantias que poderão se aposentar pelo regime atual, ou seja, aos 42 anos. As novas regras do sistema universal por pontos, que automaticamente vai elevar a idade legal de acesso às pensões, só será aplicada aos bailarinos que entrarem na companhia a partir de 2022.

26° dia de greve

Em Paris, os metroviários anunciaram uma forte melhoria para esta segunda-feira (30), com 14 das 16 linhas do metrô em funcionamento. Mas, na prática, poucos trens circulam e apenas nos horários de pico, entre 6h30 e 9h30 da manhã, e das 17h30 às 19h30, para as pessoas irem e voltarem do trabalho para casa. Em relação ao tráfego ferroviário, a metade dos trens de alta velocidade permanece fora de circulação. A companhia ferroviária SNCF anunciou € 400 milhões de prejuízo apenas nos primeiros 14 dias da greve.

A tradicional virada do ano na avenida Champs Elysées deverá atrair um número bem menor de turistas. Roland Héguy, presidente da União de Profissionais e da Indústria da Hotelaria, afirma que o faturamento no setor caiu 50% desde o início da paralisação. Os turistas têm cancelado as reservas. Héguy insiste que além dos profissionais do turismo, o comércio, o setor de artes e espetáculos e outros segmentos da economia dependentes dos transportes acumulam sérios prejuízos com a greve prolongada.

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