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Jornalista cria site Crônicas de Paris para falar sobre dia a dia na capital

Áudio 07:06
A jornalista Ana Paula Cardoso criou o site Crônicas de Paris, com textos, vídeos e podcasts sobre "as dores e as delícias" da vida parisiense.
A jornalista Ana Paula Cardoso criou o site Crônicas de Paris, com textos, vídeos e podcasts sobre "as dores e as delícias" da vida parisiense. RFI
Por: Paloma Varón
12 min

Radicada há cinco anos em Paris, a jornalista Ana Paula Cardoso criou o site Crônicas de Paris em 2017. Em agosto de 2019, começou a publicar também vídeos e podcasts contando sobre a vida parisiense, que, como ela mesma diz, tem "baguete eTorre Eiffel", mas tem também metrô lotado, muito frio e mau humor.

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Ana Paula, que foi repórter do jornal O Globo por mais de dez anos, veio a Paris com algumas economias e o desejo de se tornar escritora. A carioca chegou a escrever sobre Paris para o jornal, até criar o seu próprio site.

“Este projeto começou porque eu amo crônicas - e crônica é o gênero literário mais próximo do jornalismo, porque a gente trata da realidade com uma licença poética. O que eu procuro trazer nas minhas crônicas é uma frase do [pintor italiano Leonardo] Da Vinci: ‘a simplicidade é o último grau de sofisticação’”, explica.

“Eu acho a vida em Paris muito simples. Sou uma carioca, então eu faço muita analogia entre a vida no Rio de Janeiro, que muita gente glamouriza, e na França. Tem coisas do dia a dia aqui que só quem vive aqui sabe”, diz.

Sem medo do clichê

Seus textos e vídeos partem desta simplicidade e falam de seu cotidiano, porque ela acredita que, ao falar de si, está falando do ponto de vista mulher brasileira que mora em Paris.

“Eu tenho buscado dar um olhar de quem vive aqui – que mistura um pouco de deslumbre, porque eu sou apaixonada por Paris como sou pelo Rio, mas também que não perde a crítica. É esta nuance que eu procuro dar nos meus textos, vídeos, podcasts”, conta a autora, que começou com os novos formatos este ano, mas não deixou de lado os textos.

Este olhar pode incluir clichês, mas sempre terão uma visão pessoal. “Eu não tenho nenhuma antipatia pelo clichê, o clichê faz parte do dia a dia. A baguete é um clichê, mas só quem mora aqui sabe que, quando a gente compra a baguete e ela está quentinha, ela quase não chega ‘viva’ em casa”, conta Ana Paula, referindo-se ao hábito de mordiscar as pontas do pão no trajeto a pé entre a padaria e a casa.

Fernando Sabino

“Eu vim [morar em Paris] por conta própria, não vim acompanhar marido, fazer mestrado… Vim com algumas economias disposta a ficar um ano para aprender francês. Meu objetivo de vida sempre foi: morar em Paris, viver de escrever e me casar com um padeiro francês, porque eu gosto muito de pão. Eu já tenho dois sonhos realizados, porque moro em Paris e vivo de escrever”, fala, divertida, sobre ainda não ter achado o seu padeiro.

A jornalista conta que o autor que a inspira para o site é o escritor mineiro Fernando Sabino. “Fernando Sabino é meu ídolo, eu cresci lendo o Sabino e eu gostaria de ser o que ele é (ou foi): uma escritora de crônicas.”

“Fernando Sabino foi a primeira pessoa célebre que eu entrevistei. Eu tinha 19 anos e ele já era meu ídolo. Eu fui à casa dele, ele abriu a porta e disse que só tinha 15 minutos para a entrevista. Eu tremia. Acabei ficando quase 3 horas lá”, relembra.

Relação com Paris

Ana Paula diz que a relação com a cidade francesa mudou depois que ela se tornou moradora. “É normal, é a rotina, muitas vezes eu me pego reclamando da cidade. Mas ao mesmo tempo eu tenho muita consciência do que eu gosto e do que eu sinto falta. Eu gosto muito da condição da mulher aqui, que é muito mais livre. Eu venho de uma cidade muito violenta, de um país muito violento, então é muito bom andar na rua e se sentir segura. Tem violência aqui também, claro, mas é menos e isso já me proporciona um bem-estar excelente”, diz ela, que admite sentir saudades de sorrisos e de abraços.

Sobre a vida em Paris, Ana Paula disse que detesta quando o metrô está lotado “e as pessoas não sabem se colocar. Eu venho de uma cidade onde o metrô lota e a gente abre espaço. Aqui eles não sabem direito, dá vontade de dar uma aula de como se posicionar”, brinca.

“E uma coisa que eu adoro é a Torre Eiffel. Eu faço aniversário no mesmo dia em que ela foi inaugurada (31 de março de 1889). Paris é um caso de amor correspondido”, resume.

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