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França/cúpula

Em cúpula do Sahel, Macron espera "solidariedade" dos presidentes africanos às tropas francesas

O presidente francês, Emmanuel Macron, em Pau, onde acontece a cúpula com os países africanos do Sahel
O presidente francês, Emmanuel Macron, em Pau, onde acontece a cúpula com os países africanos do Sahel (Foto: Reuters)
Texto por: RFI
5 min

O presidente francês, Emmanuel Macron, recebe nesta segunda-feira-feira (13) em Pau, no sudoeste da França, os chefes de Estado de cinco países da região do Sahel (Chade, Níger, Burkina Faso, Mali e Mauritânia) para reforçar a legitimidade dos militares franceses e mobilizar seus aliados europeus.

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A cúpula do chamado G5 Sahel também terá a participação do secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. O encontro acontece poucos dias depois do ataque jihadista no Níger, na quinta-feira (8), que deixou 89 soldados mortos no campo de Chinégodar, perto do Mali, de acordo com um balanço divulgado neste domingo (12).

Na cidade francesa, Macron visitou o quinto regimento de helicópteros de combate em Pau, de onde eram originários sete dos 13 soldados que morreram em uma operação militar no Mali, em dezembro. Ele depositou uma coroa de flores no local em homenagem aos soldados, acompanhado dos líderes africanos. A cúpula começou por volta das 16h30, no horário local. O evento deve ser encerrado com um jantar de trabalho entre os participantes.

Os cinco dirigentes africanos foram convidados de última hora, em dezembro, pelo presidente francês, que ficou irritado com as críticas feitas aos soldados envolvidos na operação Barkhane e o surgimento na região de um “sentimento anti francês”, que se desenvolve principalmente no Mali. Na última sexta-feira (9), cerca de mil pessoas manifestaram na capital, Bamako, pedindo a retirada dos cerca de 4.500 soldados franceses e estrangeiros da região.

Jihadismo é secundário, diz especialista

Macron espera que os presidentes do G5-Sahel expressem publicamente sua solidariedade com a França e reiterem o apoio à manutenção das tropas francesas no país, diz Marc-Antoine Péruse de Montclos, diretor do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento e autor do livro “Uma Guerra Perdida”, que será lançado nesta quarta-feira (15) na França.

"É preciso lembrar que a presença militar francesa não serve apenas para combater os grupos qualificados de terroristas e jihadistas, mas garantem também a sobrevivência de regimes que são, muitas vezes, corruptos e autoritários”, avalia. “Ao mesmo tempo, eles precisam fazer com que a própria opinião pública aceite, o que é um dilema para os chefes de Estado do Sahel, que a ajuda da antiga potência colonial, no caso a França, é essencial para os países", afirma.

Segundo ele, a dificuldade de controlar a ameaça jihadista na região é resultado de um "erro de diagnóstico", avalia. "Demos para as forças francesas uma espécie de missão impossível. A chamada radicalização do Islã se tornou responsável por tudo, mas as raízes da crise na região têm origem principalmente nas falhas dos Estados da zona. Reconstruir Estados vai além do papel das forças francesas", explica.

"Os conflitos são complexos e o aspecto religioso às vezes é quase marginal no desenrolar dos acontecimentos. Há conflitos envolvendo o acesso à propriedade, ao desenvolvimento da criação de gado, que envolvem também a exploração de tais recursos pelos próprios representantes dos Estados", ressalta. "A solução está nas mãos dos africanos, não da França ou dos europeus."

De acordo com ele, há três vias possíveis: manter as tropas francesas e o impasse na região, enviar reforços, o que representa um risco, porque as tropas africanas cometem abusos em nome da luta contra o terrorismo, ou retirar aos poucos os militares franceses da região, incitando uma reforma dos Estados do Sahel.

Declaração comum

Segundo o ministro nigeriano das Relações Exteriores, Kalla Ankourao, haverá no fim do encontro uma "declaração comum entre os chefes de Estado do G5 e a França para reafirmar a necessidade de dar continuidade à luta e mesmo aumentar as forças que devem se envolver na batalha contra o terrorista", afirma.

Os países africanos devem reafirmar o apoio à intervenção francesa e também definir objetivos militares precisos. Os esforços devem se concentrar na zona conhecida como a das três fronteiras (Mali, Burkina Faso e Níger), alvo constante de ataques terroristas nos últimos meses. A questão da retirada das tropas será analisada nos próximos seis meses, em função dos resultados obtidos e do respeito ao compromisso que será assumido na reunião entre os presidentes da região.

 

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