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Cinema/Polêmica

Sob nova acusação de estupro, Polanski lidera indicações ao Oscar do cinema francês

"J'accuse - O Oficial e o Espião", de Roman Polanski, concorre em 12 categorias do César, o Oscar do cinema francês.
"J'accuse - O Oficial e o Espião", de Roman Polanski, concorre em 12 categorias do César, o Oscar do cinema francês. Thomas SAMSON / AFP
Texto por: RFI
4 min

Nem as novas acusações de estupro, nem as manifestações de feministas francesas conseguiram impedir as indicações do novo filme do cineasta Roman Polanski ao César, o Oscar do cinema francês. "J'accuse - O Oficial e o Espião" concorre em 12 categorias da premiação.

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Ao anunciar os concorrentes nesta quarta-feira (29), o presidente da Academia do César, Alain Terzian, afirmou que a premiação não deve "adotar posições morais". "A menos que eu esteja errado, 1,5 milhão de franceses foram assistir ao filme de Polanski”, acrescentou.

O filme histórico sobre o julgamento do militar judeu Alfred Dreyfus, premiado com o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, recebeu 12 indicações, incluindo às principais categorias de melhor filme e melhor direção.

Pedidos de boicote

A estreia do novo longa-metragem de Polanski na França, no final de 2019, foi marcada por pedidos de boicote de feministas. O motivo é uma nova acusação de estupro contra o cineasta franco-polonês, de 86 anos.

Em novembro do ano passado, a fotógrafa francesa Valentine Monnier, contou ao jornal Le Parisien detalhes de uma agressão sexual que atribui à Polanski e teria acontecido em 1975, quando ela tinha 18 anos.

O diretor negou a acusação por meio de seu advogado. Além disso, os fatos prescreveram e Polanski não irá responder a um processo.

Polanski é um fugitivo da justiça dos Estados Unidos, onde em 1977 foi acusado de estuprar uma menor de 13 anos. Outras mulheres alegaram nos últimos anos terem sido vítimas de agressões sexuais pelo diretor, mas ele sempre se declarou inocente.

Indignação nas redes sociais

O anúncio da organização do César, cuja cerimônia será realizada no dia 28 de fevereiro em Paris, provocou uma onda de reações nas redes sociais.

"Doze indicações para o filme 'J'accuse'. 12 como o número de mulheres que o acusam de estupro!", tuitou a associação Osez le feminisme. A militantes prometeram protestar durante a premiação como fizeram em 2017, diante da Cinemateca Francesa, na abertura de uma retrospectiva dedicada a Polanski.

No mesmo ano, o cineasta já havia recusado o convite de presidir a cerimônia de premiação do César, sob pressão dessas associações.

Além da polêmica envolvendo Polanski, o evento também deve ser marcado neste ano pelas acusações de assédio da atriz francesa Adèle Haenel contra o diretor Christophe Ruggia.

Haenel é uma das concorrentes ao César de melhor atriz pelo filme "Retrato de uma jovem em chamas". No ano passado, ela acusou Ruggia de a ter assediado durante a filmagem do longa "Les Diables" (sem título em português), quando a jovem tinha 12 anos. O diretor está sendo processado.

Outros favoritos

Entre os atores, Jean Dujardin é um dos favoritos a levar o prêmio de melhor ator em "J'accuse - O Oficial e o Espião". Ele concorre com Daniel Auteuil, protagonista de "La Belle époque", além de Vincent Cassel e Reda Kateb em "Hors normes".

Os melhores cotados para receber o prêmio de melhor filme, ao lado do longa de Polanski, são "Os Miseráveis", de Ladj Ly - candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro - e "La Belle époque", de Nicolas Bedos, com 11 indicações cada um. "Retrato de uma jovem em chamas" concorre em 10 categorias.

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