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França/ Esporte

Imprensa francesa analisa escândalo de denúncias de abusos sexuais no esporte

Didier Gailhaguet, presidente da Federação Francesa de Esportes do Gelo, em entrevista a jornalistas, no dia 3 de fevereiro.
Didier Gailhaguet, presidente da Federação Francesa de Esportes do Gelo, em entrevista a jornalistas, no dia 3 de fevereiro. AFP/Bertrand Guay
Texto por: RFI
3 min

Depois do cinema, das empresas e da política, agora é a vez do esporte enfrentar um escândalo envolvendo violência sexual na França. O país que organiza as Olimpíadas de 2024 quer evitar que sua imagem seja manchada.  

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O jornal Le Figaro desta quarta-feira (5) destaca que há uma semana o mundo esportivo francês vem sendo abalado por revelações de casos de agressões sexuais e estupros, que começaram com a publicação do livro da ex-campeã francesa de patinação Sarah Abitbol, onde ela revelava ter sido estuprada por seu ex-treinador, Gilles Beyer, quando tinha entre 15 e 17 anos. Segundo o jornal, o testemunho da atleta deixa clara a falta de apoio e ações por parte do presidente da Federação Francesa de Esportes do Gelo, Didier Gailhaguet, que deve falar com a imprensa nesta quarta-feira. Le Figaro afirma que poucos são os que têm coragem de enfrentar o onipotente presidente, que dirige a instituição desde 1998.

Normalmente apresentado como um modelo de integração, o esporte não pode mais continuar fechando os olhos para este tipo de casos tenebrosos, segundo Le Figaro. Em entrevista ao jornal francês, a ministra do Esporte da França, Roxana Maracineanu, diz que considera a situação gravíssima.

Segundo a ministra, após a aparição dos casos na mídia, seu ministério passou a receber mais denúncias. Isso permite detectar possíveis problemas ou até casos de pedofilia e impedir contato dessas pessoas com crianças.

A ministra afirma que as denúncias não mancham a reputação francesa, ao contrário, segundo ela, o país presta um grande serviço ao mundo do esporte. Ela diz que acredita que as pessoas que enquadram os esportistas devem ter valores educativos. “É preciso enfrentar o problema e explicar que essas pessoas não fazem parte do mundo do esporte”, afirma a ministra.

Esforços e tolerância zero

O Instituto Nacional do Esporte francês também se esforça para salvar a reputação francesa antes dos jogos olímpicos. Segundo seu presidente, Ghani Yalouz, a instituição trabalha desde 2019 com uma associação contra a violência sexual, para sensibilizar sobre o assunto e prevenir novos casos. Além disso, a instituição prevê o acompanhamento das vítimas de abusos.

O diretor geral adjunto da Federação Francesa de Futebol (FFF), Pierre Samsonoff, também reagiu as denúncias dizendo que a organização defende a tolerância zero à violência sexual. Samsonoff disse ao Le Figaro que se sensibilizou sobre o assunto durante o escândalo que sacudiu o mundo do futebol inglês em 2016, quando clubes profissionais revelaram casos de agressão contra adolescentes. Desde o fim de 2019, em um projeto experimental, a FFF verifica de maneira mais profunda os antecedentes de seus empregados.

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