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França/Nuclear

Macron pede autonomia europeia na Defesa e "diálogo estratégico" sobre dissuasão nuclear

O presidente francês, Emmanuel Macron, durante seu discurso sobre dissuasão nuclear, na Escola Militar de Paris, nesta sexta-feira (7).
O presidente francês, Emmanuel Macron, durante seu discurso sobre dissuasão nuclear, na Escola Militar de Paris, nesta sexta-feira (7). REUTERS/François Mori/Pool
Texto por: RFI
3 min

O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu nesta sexta-feira (7) que os europeus não sejam meros "espectadores" da corrida armamentista mundial. O líder centrista pediu que o bloco participe da política francesa de dissuasão e que se crie "uma agenda internacional de controle de armamentos".

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"A França mobilizará os parceiros europeus para estabelecer as bases de uma estratégia internacional comum que poderemos propor em todos os foros, nos quais a Europa é ativa", declarou ele, diante de militares, diplomatas estrangeiros, além da ministra da Defesa e das Forças Armadas, Florence Parly, e do ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian.

"A última década viu os equilíbrios estratégicos, políticos, econômicos, tecnológicos, energéticos e militares sendo amplamente postos em xeque, e hoje nós vemos ressurgir o que pode prejudicar a paz conquistada após tantos dramas no nosso continente", advertiu, na Escola Militar de Paris.

O aguardado discurso - que durou 1 hora e 15 minutos - é um exercício imposto a cada chefe de Estado francês. Para Paris, a dissuasão nuclear é a chave de sua estratégia de Defesa e garantia de seus interesses nacionais.

Esvaziamento da ordem jurídica internacional

Macron também afirmou que o mundo está diante de "uma competição global entre os Estados Unidos e a China", de "um esvaziamento acelerado da ordem jurídica internacional" e de uma desintegração da arquitetura de controle dos armamentos na Europa.

Segundo ele, "os europeus devem tomar consciência coletivamente de que, na falta de um marco jurídico, podem se ver rapidamente expostos à retomada de uma corrida de armamentos convencionais e até nucleares, em seu território". Em resposta a estes desafios, o presidente francês defende que a Europa tenha "uma maior autonomia estratégica".

"Os parceiros europeus que desejarem se unir a esta via poderão participar de exercícios das forças francesas de dissuasão. Este diálogo estratégico e estes intercâmbios farão parte do desenvolvimento de uma verdadeira cultura estratégica entre europeus", sugeriu.

Com a saída do Reino Unido do bloco, a França é o único país da União Europeia a possuir arma atômica. O chefe de Estado francês assegurou que a capacidade nuclear francesa "reforça a segurança da Europa pelo fato de existir e também tem uma dimensão autenticamente europeia".

Por outro lado, lembrou que o país reduziu o tamanho de seu arsenal "a menos de 300 armas nucleares". Para ele, essa é uma "iniciativa exemplar" de uma nação em matéria de desarmamento.

Aliança com EUA

Dois meses depois de uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) bastante tensa, Macron reconheceu que "a França está convencida de que a segurança da Europa a longo prazo passa por uma aliança forte com os Estados Unidos". "Mas nossa segurança passa também, inevitavelmente, por uma maior capacidade de ação autônoma dos europeus", concluiu.

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