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França/ Coronavírus

França: medidas contra o coronavírus são excessivas? Infectologista responde

Governo proíbe aglomerações de mais de mil pessoas e franceses estão tendo que adaptar seu cotidiano devido à propagação do coronavírus no país.
Governo proíbe aglomerações de mais de mil pessoas e franceses estão tendo que adaptar seu cotidiano devido à propagação do coronavírus no país. REUTERS/Gonzalo Fuentes
Texto por: RFI
5 min

Na preparação para a fase 3 do combate ao coronavírus, a França anunciou nesta segunda-feira (9) o fechamento de novas escolas e creches. Cerca de 350 mil alunos não terão aulas nos locais que são foco da doença por pelo menos duas semanas. O governo também anunciou que eventos que reúnam mais de mil pessoas estão proibidos.

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O Museu do Louvre também anunciou nesta segunda-feira que restringirá o acesso do público, enquanto a Filarmônica de Paris cancelou todos os shows, depois que a França proibiu aglomerações de mais de mil pessoas.

O governo francês estabeleceu no domingo (8) essas novas medidas para tentar conter a propagação do Covid-19.  A direção do Louvre, o museu mais visitado do mundo, decidiu restringir o acesso, por enquanto, a quem tiver comprado ingressos online ou que tenha entrada gratuita, como menores de 18 anos, pessoas com deficiência e professores franceses. O museu já havia sido fechado durante dois dias e meio no início do mês, porque sua equipe decidiu não trabalhar para se proteger do risco de contaminação.

No total, 1.191 pessoas estão contaminadas na França, que registra, até o momento, 21 mortes em função da epidemia.

Jogo da Liga dos Campeões sem público

Eventos culturais e esportivos também estão sendo adaptados. O jogo da Liga dos Campeões, entre o PSG e o Borussia Dortmund vai se passar a portas fechadas na próxima quarta-feira (11), no Parque dos Príncipes, em Paris. Ao mesmo tempo, as manifestações, concursos e transportes públicos não são afetados por enquanto, de acordo com o ministro da Saúde, Olivier Véran, que anunciou as medidas.

A RFI conversou com Eric D'Ortenzio, médico infectologista e coordenador científico do Inserm, instituto público de pesquisa, sobre a eficácia destas medidas e se estas não contribuiriam para criar pânico entre a população.  

“É preciso medir o impacto que este tipo de medida pode ter, quer dizer, se for um impacto negativo sobre o funcionamento da sociedade, é preciso limitar o contato próximo de pessoas, para evitar que pessoas infectadas contaminem as sadias”, diz D’Ortenzio.

“É uma medida que tem realmente o objetivo de diminuir o número de novos casos nas próximas semanas. E tem também o objetivo de evitar a superlotação dos hospitais, para que estes possam acolher os casos realmente graves”, explica o médico.

“São medidas que são pensadas neste sentido, quer dizer, a gente pode ficar sem ver um espetáculo ou um jogo de futebol, mas não pode deixar de se deslocar de um lugar para o outro. Se a gente pensa nos trabalhadores da saúde, que precisam se deslocar até os hospitais, é muito importante conservar o funcionamento dos transportes públicos”, relativiza.

Para o infectologista, é preciso colocar na balança o impacto que a medida pode ter, principalmente na gestão da epidemia.

Sobre a eficácia desta medida de proibir a reunião de mais de mil pessoas, ele afirma: “Sim, ela é eficaz. E há estudos feitos a posteriori sobre a pandemia de gripe de 1918, que demonstraram que, em algumas cidades dos Estados Unidos que adotaram precocemente estas medidas de interdição de reuniões de pessoas, houve um efeito sobre o número de hospitalizações e sobre a taxa de mortalidade. Então, evidentemente, é uma medida de saúde pública baseada em fatos científicos”.

Pânico entre a população

Mas será que estes anúncios não aumentariam o pânico em torno da doença?

“Eu não acho que estas medidas aumentem o pânico, ao contrário, acho que mostram que estamos vigilantes, que as medidas são bem pensadas e que cada um é protagonista também da prevenção e é preciso que a população compreenda que as medidas são a nível individual e coletivo. É preciso que todos se comprometam para evitar que o número de casos não cresça tanto e permitir aos hospitais de gerenciar a crise”, informa o especialista.

O governo francês diz que a passagem para estágio 3 é uma questão de dias, talvez de horas. O médico acha que as medidas anunciadas no domingo e nesta segunda-feira já são uma maneira de preparar a opinião pública: “Estão fazendo de forma gradual. Eu acho que é uma questão de dias. Estamos reforçando as medidas e acredito que ainda haverá novas medidas [com a passagem para o estágio 3].

Córsega também está atingida

A pequena ilha francesa da Córsega registrou sua primeira vítima fatal pelo novo coronavírus com a morte de um homem de 89 anos no hospital Ajaccio na noite de domingo (8), de acordo com a Agência Regional de Saúde (ARS) da Córsega.

Famosa região balneária, a cidade de Ajaccio foi considerada neste domingo como um local de contaminação, que levou o governador da Córsega a fechar todas as escolas e creches locais por 14 dias e a proibir todos os eventos que envolvam mais de 50 pessoas em espaços confinados.

Esta medida de proibição se aplica a cinemas, teatros, salas de concerto, bem como a todos os ginásios esportivos, discotecas ou locais de culto. O fechamento de escolas e creches atinge cerca de 10.000 crianças e alunos.

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