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EUA/Europa/fronteiras

Trump faz campanha eleitoral e não prevenção sanitária ao fechar fronteiras para europeus, dizem especialistas e políticos da UE

O Presidente do Conselho da UE Charles Michel e a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen. 09/03/2020
O Presidente do Conselho da UE Charles Michel e a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen. 09/03/2020 REUTERS/Francois Lenoi
Texto por: Maria Paula Carvalho
5 min

A União Europeia (EU) desaprovou nesta quinta-feira a decisão do presidente Donald Trump, tomada de maneira unilateral e sem consulta prévia, de proibir por um mês todas as viagens da Europa para os Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela RFI na França dizem que o presidente americano faz política e não prevenção sanitária.

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“O coronavírus é uma crise mundial, que não se limita a um continente e requer cooperação, e não uma ação unilateral”, disseram em um comunicado conjunto os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel.

Mais cedo, pelo Twitter, Charles Michel havia dito que a “Europa está tomando todas as medidas necessárias para conter a propagação do vírus COVID-19, limitar o número de pessoas afetadas e apoiar as pesquisas." Ele ainda teme uma perturbação econômica provocada pela decisão de Trump.

Na quarta-feira, o presidente americano anunciou a proibição de entrada nos Estados Unidos dos estrangeiros procedentes dos 26 países europeus do espaço Shengen, uma medida para deter a pandemia de coronavírus que provocou uma nova tempestade nos mercados. Nesta quinta-feira, a Bolsa de Valores da França abriu em forte queda de menos 5,11%.

Desprezo aos aliados

A medida que tem o objetivo de impedir a transmissão do coronavírus dos dois lados do Atlântico não incluirá o Reino Unido. Um indício de que a decisão de Trump tem outras motivações, na opinião do cientista político Pascal Boniface, do Intituto de Relações Internacionais e Estratégicas da França (IRIS).

“É como se o Brexit tivesse imunizado o Reino Unido do coronavírus e por isso eles são autorizados a viajar. Então, vemos que Trump faz política e comunicação, mas isso não é proteção sanitária,” diz o especialista.

Donald Trump toma uma medida drástica depois de ter minimizado os riscos do Covid-19 no início da epidemia. “Trump toma uma decisão com fortes consequências sem consultar e nem mesmo informar seus parceiros europeus. Como sempre, o presidente americano tem uma atitude de desprezo aos seus aliados. Ao mesmo tempo, esse tipo de discriminação não tem sentido do ponto de vista da saúde pública”, afirma o cientista político.

“Devemos lembrar que Trump estava na defensiva. Ele havia sido acusado de tratar o coronavírus de fakenews e certamente não considerou o problema com a seriedade necessária. Agora, Trump reage de forma unilateral e isolacionista, criando essa ilusão de que é possível proteger os Estados Unidos do resto do mundo com suas medidas. Na verdade, ele faz campanha eleitoral e não prevenção sanitária”, conclui Boniface.  

Nacionalismo não é resposta

A Europa registra até o momento 22.307 casos do novo coronavírus e 930 mortes. Nesta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a pandemia de coronavírus é "controlável".

"O nacionalismo não é a resposta ao COVID-19, os vírus não se importam com as fronteiras nem com as nacionalidades", afirmou nesta quinta-feira o eurodeputado liberal e ex-primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt.

A decisão também foi fortemente criticada na França, onde diversos parlamentares condenaram o fechamento das fronteiras. O líder do partido conservador Os Republicanos, Damien Abad, criticou o comentário de Trump, frisando que o coronavírus era “um vírus estrangeiro.”

“É uma política que visa encontrar bodes expiatórios e considerar que o vírus vem do exterior e da Europa, quando sabemos que também há casos confirmados nos Estados Unidos” disse.

Para muitos deputados franceses, a declaração de Trump “esconde” a situação dramática da saúde nos Estados Unidos, totalmente privatizada, impedindo aos mais pobres o acesso a tratamentos muitas vezes vitais.

Para o eurodeputado do partido os Republicanos, Jean-Lin Lacapelle, a decisão de Trump sanciona a União Europeia, que não tem fronteiras.

A Companhia aérea Air France vai decidir na tarde desta quinta-feira se suspenderá seus 120 voos semanais para os Estados Unidos.

 

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