França/Coronavírus

Coronavírus não mata só idoso; metade dos pacientes graves na França têm menos de 65 anos

A UTI do hospital Bichat de Paris foi uma das primeiras a receber casos graves provocados pelo Covid-19.
A UTI do hospital Bichat de Paris foi uma das primeiras a receber casos graves provocados pelo Covid-19. REUTERS/Charles Platiau

Ao ver a despreocupação de milhares de franceses que, apesar das medidas adotadas pelo governo para conter o coronavírus, lotaram locais públicos neste domingo (15), o ministro da Saúde Olivier Véran lançou um alerta à população. “A imprudência pode matar! 50% dos pacientes em reanimação são jovens, têm menos de 65/60 anos”, informou Véran em entrevista ao canal de TV France 2.

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As imagens dos franceses aproveitando o domingo de sol em família nas praças e parques de todo o país viralizaram nas redes sociais. “Suplico a todos que respeitem as medidas. Somos todos responsáveis e nossos atos são determinantes para proteger a saúde dos franceses. O vírus é invisível, circula rápido e ameaça a vida das pessoas”, insistiu o ministro.

Olivier Véran reiterou que esta é uma doença grave e que não mata apenas idosos. “Felizmente, 98% das pessoas se curam, as crianças não desenvolvem sintomas graves, e entre 80% e 85% dos contaminados têm poucos ou nenhum sintoma. Mas não são essas pessoas que estão hospitalizadas, em reanimação, sim muitas pessoas que as famílias não esperavam que elas apresentassem sintomas graves”, declarou. Resumindo, a situação é grave e justifica a “interrupção de nossa vida social e o fechamento das escolas”, martelou Véran, que pede a cooperação de todos.

Em todo o país, mais de 400 pessoas estão internadas em UTIs. Metade delas tem menos de 65 anos e muitas não têm doenças pregressas como diabetes, hipertensão ou obesidade. Vários serviços hospitalares indicam que pacientes de 30 a 40 anos, sem antecedentes, estão em estado grave. O número de contaminação duplicou nas últimas 24 horas. O país registra aos menos 5.423 casos e 127 mortos.

Confinamento total?

A França começou a semana com sua rotina drasticamente alterada em função das últimas medidas para a contenção da epidemia do novo coronavírus. Esta segunda-feira (16) é o primeiro dia em que as instituições de ensino de todo o país amanheceram de portas fechadas, como determinado no pronunciamento do presidente Emmanuel Macron na noite da última quinta-feira (12). A decisão foi seguida por um novo pronunciamento, no sábado (14), desta vez pelo primeiro-ministro Edouard Philippe, ordenando o fechamento de todos os comércios considerados não essenciais.

Com a multiplicação dos casos e o comportamento dos franceses que mantiveram sua vida social apesar das primeiras medidas, novas restrições de circulação são aguardadas. O presidente Emmanuel Macron reúne nesta segunda-feira o Conselho de Defesa. Nesta noite, ele faz um novo pronunciamento à nação e novas medidas, como o confinamento total da população a exemplo do adotado na Itália e na Espanha, são aguardadas.

O governo também deve decidir se mantém ou não o segundo turno das eleições municipais. O primeiro turno, realizado neste domingo, foi marcado por uma taxa recorde de abstenção e muita polêmica sobre a sua realização neste momento de epidemia do Covid-19.

O presidente francês também participa hoje de uma videoconferência com outros líderes europeus para decidir um plano coordenado para enfrentar a crise. A questão do fechamento de fronteiras deve dominar a discussão. Vários países do bloco já fecharam isoladamente suas fronteiras.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, anunciou hoje a convocação de uma reunião extraordinária dos 27 líderes da União Europeia, para esta terça-feira (17), para articular as respostas à nova pandemia de coronavírus.

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