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França/Covid-19

Macron fala em "guerra sanitária", anuncia novas restrições de deslocamentos na França e adia 2° turno das eleições municipais

Emmanuel Macron faz discurso à nação sobre a epidemia de coronavírus (COVID-19). em  de março de .
Emmanuel Macron faz discurso à nação sobre a epidemia de coronavírus (COVID-19). em de março de . REUTERS/Eric Gaillard
Texto por: Maria Paula Carvalho
7 min

Em discurso à nação na noite desta segunda-feira (16), o presidente francês, Emmanuel Macron, divulgou novas medidas de restrição à vida social para intensificar o combate ao coronavírus que já contagiou 6.633 vítimas no país, provocando 148 mortes. O chefe de Estado anunciou novas estratégias para apoiar a economia e o uso do Exército nos esforços de contenção da epidemia. 

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“Talvez para alguns a epidemia de Covid-19 parecesse uma ideia remota, mas ela se tornou uma realidade imediata”, disse Macron logo no início do discurso, lembrando que o governo já havia criado dispositivos firmes para frear a propagação do vírus, como o fechamento de escolas, creches e universidades. Desde sábado (14), todos os restaurantes e o comércio não essencial foi fechado no país, assim como reuniões de mais de 100 pessosas foram proibidas. “Nunca a França teve que tomar essa decisão em tempos de paz”, disse o presidente.

Depois de ter mantido o primeiro turno das eleições municipais, no domingo (15), o governo francês decidiu adiar a realização da segunda fase de votação, prevista para o dia 22 de março. Macron aproveitou para saudar todas as pessoas que trabalharam para que as eleições pudessem acontecer e os franceses que compareceram às urnas, respeitando os conselhos sanitários.

Porém, segundo declarou, “após consultar o presidente do Senado e da Assembleia Nacional, além de um conselho de especialistas”, o mais prudente é não realizar a votação conforme o calendário original. Macron acrescentou que todos os partidos políticos foram informados pelo primeiro-ministro e que houve um consenso sobre o assunto.

Restrição de deslocamentos

O presidente francês chamou a atenção da população para o fato de que, ao mesmo tempo em que os profissionais da saúde alertavam sobre a severidade da doença, “muitas pessoas se reuníam nos parques como se a vida não tivesse mudado”.

“Com esse comportamento,vocês não se protegem e nem aos outros”, lamentou o presidente, acrescentando que mesmo pessoas sem sintomas podem ser portadoras do vírus e transmiti-lo, colocando a vida dos demais em risco. “No momento em que a situação sanitária se degrada, todo o engajamento tem que se concentrar em diminuir a progressão do vírus”, completou.

“Respeitar os conselhos sanitários é a única maneira de proteger os mais vulneráveis e de reduzir a pressão sobre os serviços de saúde”, reiterou Macron. “Façamos prova de respeito solidário e de responsabilidade”, pediu o presidente.

De acordo com o chefe de Estado, “cada um tem que limitar o número de pessoas em contato, essa é a prioridade”. Por isso, depois de consultar e escutar os especialistas, o governo francês “decidiu reforçar as medidas para reduzir os deslocamentos e contatos ao estritamente necessários a partir de amanhã (17) ao meio dia e por 15 dias”, anunciou.

Na prática, isso significa que reuniões familiares e de amigos não são permitidas. Os franceses também devem evitar se dirigir aos parques, bem como circular nas ruas. “Só fazer trajetos necessários para compra de comida, mantendo a distância de um metro entre indivíduos, não dar as mãos ou beijar outras pessoas”, acrescentou.

As únicas saídas permitidas serão para ir ao médico ou ao trabalho, quando não for possível trabalhar de casa. Porém, Macron reiterou que as empresas francesas deverão facilitar o trabalho à distância e que será preciso se adaptar para proteger os assalariados. O presidente disse que todas as medidas serão detalhadas posteriormente, mas que qualquer infração será sancionada.

Macron sugeriu que as famílias aproveitem o tempo de confinamento para cuidar uns dos outros (os que vivem na mesma casa), para leituras e outras atividades culturais, solicitando à população que “invente uma nova solidariedade” e, sobretudo, “não entrem em pânico”.

Guerra contra inimigo invisível

“Esse esforço que eu peço é inédito, mas a circunstância exige, estamos em guerra contra um inimigo invisível”, disse Emmanuel Macron, ao apelar para a mobilização de todos.

A partir de amanhã, todas as ações do governo estarão voltadas para o combate à epidemia. “Nada vai nos tirar desse foco e as reformas em curso serão suspensas, mesmo a da aposentadoria”, anunciou. “Peço a todos os atores políticos e sociais a participarem, para que o país possa sair de mais essa crise”, afirmou.

Macron ainda falou sobre cuidados para a guarda de crianças e disse que as máscaras de proteção serão reservadas para os atendentes de hospitais, como médicos e enfermeiras. Ele informou que o material será entregue nas farmácias dos 25 departamentos mais afetados a partir de amanhã à noite e depois no resto do país.

Taxis e hotéis podem ser mobilizados

Como em tempos de guerra, Macron alertou que taxis e hotéis poderão ser mobilizados para o combate à epidemia, com os custos bancados pelo Estado.

Um hospital de campanha do Exército vai ser enviado para a região da Alsácea e soldados poderão ajudar nos deslocamentos de doentes, a fim de reduzir congestionamentos dos hospitais.

Fronteiras fechadas

Após conversa com os demais líderes europeus, o presidente francês informou que a partir desta terça-feira (17), ao meio dia, as fronteiras dos países que compõe o espaço Schengen serão fechadas. Viagens entre países não-europeus serão suspensas por 30 dias.

Franceses e francesas que estiverem no exterior poderão voltar ao país, em voos de repatriamento que serão organizados. Os interessados devem se dirigir às embaixadas para solicitar a volta à França.

Ajuda econômica

“Essa crise sanitária sem precedentes terá consequências humanas e econômicas”, disse Emmanuel Macron, acrescentando que “nenhuma empresa, não importa o tamanho, corre risco de falência, pois o Estado não deixará faltar recursos”.

Taxas fiscais e sociais poderão ser pagas com atraso e o governo anunciou uma "garantia estatal" de € 300 bilhões para empréstimos bancários corporativos. Faturas de gás, água e eletricidade serão suspensas e o dispositivo de desemprego parcial será aumentado.

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