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Brasileira em Paris relata dificuldade de viver confinada: "paciência"

Áudio 07:00
A jornalista Paula de Santis relata a experiência do início de confinamento em Paris com seu marido, filhos e a mãe.
A jornalista Paula de Santis relata a experiência do início de confinamento em Paris com seu marido, filhos e a mãe. Foto: Arquivo Pessoal
Por: Elcio Ramalho
11 min

A decisão anunciada na noite de segunda-feira (17) pelo presidente Emmanuel Macron de confinar parcialmente a população e os residentes na França para evitar a propagação do coronavírus não chegou a ser uma surpresa para a jornalista brasileira Paula de Santis, que vive há dois anos em Paris.

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"Já era esperado porque aconteceu em outros países, principalmente na Itália. Era uma questão de tempo para chegar na França. Não é uma boa notícia porque obviamente ninguém se sente bem de ser obrigado a ficar em casa, mas é nosso dever porque é importante para a saúde pública”, afirma.

“A cada dia as pessoas se conscientizam mais e estão fazendo o máximo possível para seguir as orientações do governo”, constata a brasileira que está parcialmente confinada em um apartamento na capital francesa com seu marido, dois filhos menores de idade e a mãe, de 71 anos, que se encontra em visita.

Paula e o marido, que atua no departamento de Recursos Humanos de uma multinacional francesa, passaram a trabalhar no esquema de “home office” e se organizaram nos cuidados com os dois filhos: Alice de dois anos, e Rodrigo, de oito. “Fico com as crianças na parte da manhã enquanto meu marido trabalha. Na parte da tarde, ele cuida das crianças enquanto eu trabalho, também de casa”, explica.

Paula relata que a maior dificuldade é com relação aos filhos. “Eles têm um alto nível de energia, precisam e gostam de sair. Faz bem para a saúde física e mental e é importante estar nas ruas, em parques e em contato com outras crianças. É preciso ser muito criativo para fazer atividades com eles dentro de casa, mas também ser muito paciente porque eles se irritam, não entendem completamente a situação”, relata.

Paula constatou ainda a dificuldade de fazer exercícios e tarefas escolares em casa, seguindo as orientações dos estabelecimentos de ensino. Com creches e escolas fechadas, os pais devem acompanhar os filhos na execução de tarefas que são enviadas online pelos professores. “O fato de estar fora da rotina da escola, do ambiente escolar e do grupo de crianças com quem eles estudam juntos, longe da professora, muda tudo”, ressalta. “É difícil trabalhar os temas quando você não é a professora. Aí entra a paciência, organização e negociação, principalmente com o filho mais velho”, admite.

Paula, que recém começou uma atividade na qual exige sua presença na empresa onde trabalha, diz que é preciso ter disciplina para se “desligar” do ambiente doméstico e conseguir executar seu trabalho à distância.

Mãe não sabe quando voltará ao Brasil

Apesar de o governo ter decretado um período inicial de 15 dias, Paula de Santis disse estar se preparando psicologicamente para viver em regime de confinamento familiar por pelo menos um mês, diante da gravidade da situação. “Não importa quantos dias sejam, sempre vai ser muito”, diz, sorrindo.

O governo francês estabeleceu uma lista de cinco situações em que os moradores são autorizados a sair de casa. A jornalista diz se enquadrar em apenas uma circunstância: a de ir aos supermercados fazer compras de produtos de primeira necessidade. Durante dois dias, ela diz ter saído apenas para reabastecer seu estoque de comida e material de limpeza. “Estamos programando em casa sessões de esporte em família para colocar as crianças para fazer um pouco de exercício, e nós também”, comenta.

Paula também expressou preocupação com a mãe, que veio de férias para passar um mês e meio e é do grupo considerado de risco em razão de sua idade. A viagem de volta ao Brasil está marcada para 3 de abril, mas o retorno virou uma incógnita.

“A gente não sabe se ela vai poder ir embora. Vai depender do que acontecer nos próximos dias. Sabemos que as companhias aéreas estão cancelando muitos voos internacionais. Vamos esperar. Ninguém vai ter informações agora sobre um voo previsto para daqui 15 dias”, diz, conformada.

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