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França/Coronavírus

"Necessário para a saúde, confinamento é destruidor para economia francesa", diz Les Echos

O confinamento quase total da população na França entrou em vigor a partir desta terça-feira (17).
O confinamento quase total da população na França entrou em vigor a partir desta terça-feira (17). REUTERS/Gonzalo Fuentes
Texto por: RFI
4 min

O confinamento quase total da população na França está em vigor a partir desta terça-feira (17), levando a grande maioria das empresas do país a entrar em “hibernação”. Para minimizar as consequências econômicas do confinamento e da epidemia do coronavírus no país, o governo francês anunciou um plano excepcional de ajuda.

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Sem surpresa, a guerra declarada pelo presidente francês ao coronavírus está estampada na primeira página de todos os jornais franceses desta terça-feira. Os diários também destacam as medidas econômicas anunciadas por Emmanuel Macron, em seu discurso à nação na noite de segunda-feira (16), para evitar falências e a recessão no país.

O chefe de Estado prometeu que nenhuma empresa do país correrá o risco de falir, informa Le Figaro. As mais frágeis não terão que desembolsar um centavo neste período. Pagamentos de impostos, contas de água, luz e aluguéis serão suspensos. Ajudas específicas serão propostas às pequenas empresas e mesmo aos trabalhadores independentes em dificuldades. O Estado simplifica e amplia o direito ao salário desemprego parcial. Empregados e empregadas domésticas e babás também terão direito a 80% de seus salários durante o período de confinamento.

Montadoras fechadas

Le Parisien explica que as medidas serão adaptadas em função das necessidades e da situação econômica de cada setor. A crise atinge indistintamente pequenas, médias e grandes empresas, obrigadas a fechar suas portas temporariamente. Na opinião do diário, as empresas da economia digital vão se sair melhor do que as outras.

As fábricas de todas as montadoras francesas - PSA Peugeout-Citroen e Renault -, serão fechadas na França. Mesmo cenário para a fabricante de pneus Michelin. Somente na Renault isso significa que, desde essa segunda-feira, 30 mil trabalhadores foram colocados em desemprego parcial, salienta Le Parisien.

Outra decisão que tem um impacto de peso é o fechamento de ao menos quatro terminais nos aeroportos parisienses de Orly e Roissy-Charles de Gaulle por um período indeterminado, aponta o diário.

Garantias de empréstimos junto aos bancos

Um pacote de € 300 bilhões será disponibilizado pelo governo para avalizar os empréstimos das empresas em dificuldades junto aos bancos, detalha Les Echos. O ministério da Economia pediu ainda aos bancos para adiar por seis meses, e sem custos, o reembolso de dívidas antigas.

Os trabalhadores independentes, que tiveram que fechar suas lojas ou perderam 70% de seu volume de negócios e não têm direito a outras ajudas, receberão uma indenização mensal de € 1.500. Essa ajuda excepcional poderia beneficiar 2,5 milhões de pessoas, calcula o ministério do Trabalho.

O governo também quer proibir as demissões durante a crise, aponta o diário econômico. "Nenhum plano de redução de vagas será aceito", garante a ministra do Trabalho Muriel Pénicaud, citada pelo Les Echos.

Economia parada e recessão

“Necessário para a saúde, o confinamento é destruidor para a economia”, analisa um artigo de opinião publicado pelo Les Echos. Segundo o texto, a recessão é inevitável. Por isso, a necessidade do governo de intervir para limitar o tamanho do prejuízo, garantindo a continuidade do pagamento dos salários pelas empresas e apoiando os bancos para evitar uma crise financeira.

Ao todo, o governo francês vai destinar € 45 bilhões de euros para minimizar as consequências econômicas da epidemia do coronavírus no país, mas a crise vai provocar o recuo do PIB nacional que fechará 2020 com menos 1%, antecipa o ministério da Economia. Isso significa recessão. Antes do surgimento da epidemia, o crescimento da França este ano era estimado em 1,3%.

"A luta contra o Covid-19 é também uma guerra econômica e financeira", disse o ministro Bruno Le Maire. A França está inclusive disposta, se necessário, a nacionalizar empresas ameaçadas por essa crise.

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