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Papel de crianças na disseminação do novo coronavírus não é o que se pensava, dizem médicos

Cientistas lançaram estudos para investigar por que carga viral do novo coronavírus em crianças seria baixa.
Cientistas lançaram estudos para investigar por que carga viral do novo coronavírus em crianças seria baixa. REUTERS - Mohamed Abd El Ghany
Texto por: RFI
4 min

O papel das crianças na transmissão do novo coronavírus "não é o que se pensava no início da epidemia", diz o pediatra francês Robert Cohen, especialista em doenças infecciosas no Hospital de Créteil, na região parisiense. De acordo com os dados científicos mais recentes, as crianças têm menos probabilidade de carregar o vírus SARS-Cov-2, vetor da Covid-19, do que os adultos, disse Cohen à rádio France Info.

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"Em adultos, temos 30% de resultados positivos, enquanto nas crianças, temos apenas 10%", afirma o pediatra. "Sabemos que as crianças são menos seriamente afetadas, mas existem formas graves de vez em quando", admitiu o especialista do Hospital de Créteil.

"A quantidade de vírus em crianças provavelmente não é tão alta assim, é mais baixa do que em adultos", confirma o professor Jean-François Delfraissy, presidente do Conselho Científico que assessora o presidente Emmanuel Macron nas decisões sobre as medidas de controle da epidemia.

Na França, desde o início da pandemia, as crianças infectadas representam entre 1% e 2% do total de casos confirmados, indica a Sociedade Francesa de Pediatria. As vítimas mais jovens que morreram por causa da nova pneumonia viral no país tinham 6, 10 e 12 anos de idade. Em quase todos os casos notificados nas unidades de pediatria, um dos pais contaminou a criança, e não o inverso.

"Ao contrário do que conhecemos em relação à gripe, em que as crianças são os principais transmissores, parece que com o coronavírus elas excretam menos vírus", diz a professora Odile Launay, especialista em doenças infecciosas no Hospital Cochin, em Paris.

Segundo o doutor Pascal Crépey, epidemiologista e professor-pesquisador da Escola de Altos Estudos em Saúde Pública de Rennes (na região noroeste do país), pessoas assintomáticas, especialmente crianças, contribuem pouco para a disseminação do coronavírus.

Reabertura das escolas causa preocupação em pais e professores

O retorno anunciado das aulas em 11 de maio, quando o governo francês deve adotar medidas de flexibilização do isolamento social, deixa pais e professores preocupados. Mas, de acordo com Cohen, embora seja necessário aguardar os resultados de estudos aprofundados sobre a Covid-19 em crianças, o risco maior de contaminação não seria dentro da sala de aula, e sim fora dela, nos horários de entrada e saída das escolas, quando adultos se aglomeram e conversam enquanto aguardam as crianças.

"Mesmo se os estudos confirmarem que as crianças não são importantes vetores da doença, os pais devem continuar ensinando os filhos a adotar os gestos de prevenção, assim como os professores", defende o pediatra. Ele recorda a importância de se lavar as mãos várias vezes ao dia e ventilar as salas de aula. "Se isso for levado em consideração, o risco será relativamente limitado", acredita Cohen.

A Sociedade Francesa de Pediatria vai lançar nos próximos dias um estudo sobre o papel das crianças na transmissão do novo coronavíruas. "Se for comprovado que as crianças carregam uma carga viral baixa, isso confirmará que, no momento da epidemia, elas não desempenham um papel relevante na transmissão", explica Cohen.

O pediatra e imunologista Jean-Laurent Casanova, que dirige com o geneticista Laurent Abel o laboratório de genética humana de doenças infecciosas baseado em Paris (Instituto Imagine, Universidade de Paris, Inserm) e Nova York (Howard Hughes Medical Institute, Universidade Rockefeller), lançou uma pesquisa para averiguar o papel das variações genéticas na sensibilidade ao coronavírus. Os médicos ficaram intrigados ao constatar que alguns pacientes sem qualquer fator de risco agravante, como obesidade, diabetes ou hipertensão, desenvolvem formas graves da Covid-19 e morrem, enquanto outros, considerados de maior risco, conseguem se recuperar.

"A ideia de que as doenças infecciosas têm uma origem genética já foi demonstrada por estudos clássicos realizados entre 1905 e 1945. Desde estudos publicados em 1985 e principalmente em 1996, sabemos que várias alterações genéticas podem explicar uma predisposição a infecções graves, como a encefalite herpética, a tuberculose e a gripe. As formas severas da Covid-19 sugerem uma predisposição genética", disse Casanova em entrevista ao Le Monde.

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