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Menos de 6% dos franceses estão imunizados contra o novo coronavírus, revela Instituto Pasteur

Teste sorológico que rastreia a presença de anticorpos que o corpo está produzindo em resposta à infecção.
Teste sorológico que rastreia a presença de anticorpos que o corpo está produzindo em resposta à infecção. AFP - KENZO TRIBOUILLARD
Texto por: RFI
4 min

No momento em que o governo francês prepara um plano de saída gradual da quarentena a partir de 11 de maio, um estudo do Instituto Pasteur revela nesta terça-feira (21) que menos de 6% dos franceses foram infectados com o novo coronavírus. Essa porcentagem é insuficiente para evitar uma segunda onda da epidemia de Covid-19 no país depois da segunda quinzena de maio.

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Seria necessário que 70% dos franceses tivessem entrado em contato com o vírus para que o grau de imunização coletiva fosse capaz de evitar uma segunda onda epidêmica. "Estamos muito abaixo", constata Simon Cauchemez, pesquisador em epidemiologia, especializado em modelagem matemática e análise de dados epidemiológicos complexos no Instituto Pasteur.

O pesquisador Simon Cauchemez, especializado em modelagem matemática e análise de dados epidemiológicos complexos no Instituto Pasteur.
O pesquisador Simon Cauchemez, especializado em modelagem matemática e análise de dados epidemiológicos complexos no Instituto Pasteur. © captura de tela

Principal autor do estudo, ele defende a manutenção de medidas de distanciamento social após a data de 11 de maio, para evitar que os hospitais franceses se encontrem novamente superlotados de pacientes com a Covid-19.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, já havia alertado no domingo (19) que "nada será como antes" depois de oito semanas de quarentena. O premiê advertiu que os franceses "não encontrarão imediatamente, nem provavelmente por muito tempo, sua vida anterior".

O estudo realizado pelo Instituto Pasteur em colaboração com a agência de Saúde Pública da França e o Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) é baseado em modelos matemáticos e estatísticos. Essas ferramentas permitem o cruzamento de dados sobre óbitos e a probabilidade de morte quando alguém está infectado, a fim de chegar a uma estimativa da parcela da população infectada (5,7%).

"O intervalo de incerteza é expressivo, entre 3% e 10%", observa Simon Cauchemez. Mas "sejam 6%, 10% ou até 20%, isso realmente não muda a natureza do problema; em qualquer um desses patamares, estaremos muito longe dos 70% [de imunização coletiva] que precisaríamos para suspender o isolamento sem problemas", afirmou o pesquisador.

Taxa de mortalidade da Covid-19 é de 0,5% na França

A pequena parcela da população infectada é resultado da quarentena rigorosa adotada no país desde 17 de março. Na França, enquanto no início da epidemia uma pessoa infectada contaminava outras 3,3, atualmente essa proporção caiu para 0,5, revela o Instituto Pasteur. O principal objetivo das medidas restritivas, adotadas em vários países, era impedir um afluxo maciço de pacientes no sistema hospitalar, principalmente nas unidades de terapia intensiva.

Além da baixa taxa de imunização da população francesa, o estudo estima que a taxa de mortalidade do coronavírus é de 0,5% das pessoas infectadas. "A letalidade varia com a idade e o sexo", observa Cauchemez. "Os homens têm muito mais chances de morrer quando estão infectados do que as mulheres (eles têm um risco 50% maior que as mulheres) e esse diferencial aumenta com a idade", afirma o pesquisador. A taxa de mortalidade sobe para 13% em homens com mais de 80 anos de idade.

Outra conclusão do estudo é que o risco de hospitalização é de 2,6% para as pessoas que foram infectadas. Esse risco aumenta acentuadamente com a idade, chegando a 31% em homens com mais de 80 anos de idade.

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