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França evitou mais de 60 mil mortes por coronavírus graças ao confinamento

Equipe do Samu transporta paciente com coronavírus para Hospital Universitário de Estrasburgo, no leste da França.
Equipe do Samu transporta paciente com coronavírus para Hospital Universitário de Estrasburgo, no leste da França. EUTERS/Christian Hartmann
Texto por: RFI
2 min

Para quem se pergunta se o confinamento é eficiente para evitar mortes por coronavírus, um estudo da Escola Francesa de Saúde Pública traz números surpreendentes. A pesquisa calculou que o país evitou 60 mil mortes ao ter optado por um drástico isolamento da população.

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Ou seja, dezenas de milhares de vidas teriam sido perdidas caso a França não tivesse aplicado as rigorosas medidas de quarentena, o que significaria uma calamidade em termos de saúde pública. Esta é a principal conclusão de um grupo de especialistas da Ehesp (Escola Francesa de Estudos Superiores em Saúde Pública), em um relatório intitulado "Covid-19: O impacto da quarentena na epidemia".

Usando uma modelagem complexa, os especialistas compararam a curva real do número de pacientes hospitalizados pela Covid-19 na França, entre março e abril de 2020, com a trajetória da curva se as medidas de quarentena não tivessem sido tomadas. O resultado é que, com a paralisia do país em larga escala, a França conseguiu estabilizar, em um mês, a curva de pacientes graves.

A Covid-19 poderia ter atingido 23% dos franceses

Desde o início da quarentena, em 17 de março, mais de 21 mil pessoas morreram em decorrência do coronavírus na França. Se as medidas de reclusão não tivessem sido adotadas, a epidemia teria seguido seu caminho natural e o vírus se espalharia para quase 23% da população, contra 6% de acordo com estimativas, enquanto o número de hospitalizações em terapia intensiva teria passado de 140 mil.

Porém, com medidas sanitárias excepcionais de confinamento da população, o número máximo de pacientes em terapia intensiva foi limitado a 7.100 durante o pico da epidemia, em 8 de abril. Somente em Paris, evitou-se a chegada em massa de 30 mil pacientes aos hospitais, o que certamente sobrecarregaria a capacidade hospitalar da capital francesa, que atingiria 153% de seus leitos disponíveis.

"Esses resultados enterram de vez a hipótese de que poderíamos ter deixado o vírus se espalhar, ao imaginar que, após todos terem a doença, nós nos livraríamos dele", disse o pesquisador Pascal Crépey, acrescentando que se medidas de confinamento tivessem sido adotadas antes na região Leste, uma das mais afetadas do país, a explosão de casos talvez pudesse ter sido evitada.

O assunto ganha especial interesse na atualidade, quando surgem muitas discussões sobre a eficácia da quarentena e sobre suas consequências para a economia. Países como a Suécia, por exemplo, optaram por não confinar sua população.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro participou de manifestações e se opôs às medidas de isolamento. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump respaldou um movimento semelhante, ainda que minoritário, que considera que o confinamento é inaceitável por se tratar de uma violação dos direitos dos americanos de circularem e de trabalharem.

 

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