França: plano para o fim do confinamento será apresentado terça-feira

O uso de máscaras em locais públicos deve ser "sistemático"  após o levantamento das medidas restritivas.
O uso de máscaras em locais públicos deve ser "sistemático" após o levantamento das medidas restritivas. AFP - LUDOVIC MARIN

A dois dias de apresentar o seu plano para o fim do isolamento total da população, o governo francês ainda trabalha para definir pontos cruciais dessa nova etapa, que vai permitir a retomada gradual das atividades no país, a partir de 11 de maio. Um dos principais desafios é organizar a complexa reabertura de estabelecimentos de ensino.

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Sabendo que a epidemia ainda não chegou ao fim, o governo quer trabalhar com a sociedade, prefeitos, sindicatos e empregadores para a “construção de um plano nacional” com as novas regras para o retorno ao trabalho. Pelo menos foi isso que o primeiro-ministro, Édouard Philippe, deixou claro em sua mensagem publicada no Twitter, na manhã deste domingo (26). O plano completo será apresentado por ele nesta terça-feira (28). Contudo, alguns pontos defendidos pelo governo já foram revelados.

 

Transporte

Viagens entre regiões da França com transporte público podem ser novamente autorizadas, desde que respeitadas as medidas de higiene e as regras de distanciamento social. Já o transporte internacional é fortemente desencorajado até o verão europeu, para "reduzir o risco de reintrodução do vírus no território nacional". Os viajantes deverão ser expostos a medidas de quarentena na chegada ao destino e no retorno à França.

Para evitar grandes aglomerações no transporte público urbano, a sugestão é de um "cronograma escalonado" de funcionários, somado à manutenção e incentivo do trabalho em casa, quando possível. Isso ajudaria a evitar a saturação das linhas de metrô e ônibus em determinados momentos. O Conselho Científico, responsável por orientar as ações do governo, ainda recomenda "uma multiplicação da oferta" de transporte escolar, para que os alunos estejam menos concentrados.

Máscaras

O uso de máscaras em locais públicos - não apenas nos transportes, nas escolas e faculdades - deve ser "sistemático" durante os meses após o levantamento das medidas restritivas, de acordo com o Conselho Científico. Para ser factível, o fim do confinamento exige que "máscaras alternativas de produção industrial ou artesanal estejam disponíveis para toda a população e distribuídas, prioritariamente, às pessoas em contato regular com o público", afirmaram os especialistas.

Os locais abertos ao público devem oferecer a seus clientes ou usuários máscaras de proteção e soluções hidroalcoólicas. "Uma violação dessas regras deve poder levar ao fechamento administrativo desses locais", prevê o parecer.

Reabertura das escolas

"O uso de máscaras deve ser obrigatório" para os alunos dos ensinos fundamental e médio”, recomenda o Conselho, considerando-o "impossível" no jardim de infância e adaptável, de acordo com a idade, na escola primária.

As regras gerais do distanciamento físico devem ser adotadas em todos os estabelecimentos. As mesas dos alunos devem ser separadas por um metro e as escolas também devem garantir que os estudantes de uma turma não cruzem com os de outra série, para diminuir os riscos de contaminação. E, "se for possível", que todos almocem nas salas de aula, em suas próprias mesas.

O governo pede aos pais que meçam a temperatura das crianças, todos os dias, antes de elas saírem para a escola. Em caso de sintomas da Covid-19, o aluno não deve ir à aula e a família deve procurar o conselho de um médico. Caso uma infecção por coronavírus seja confirmada, o Conselho recomenda a triagem "o mais rápido possível" "dentro da escola" de outros alunos suspeitos e "encerre a turma ou todas as turmas da mesma série”. Esses estudantes deverão “ficar em casa durante 14 dias”.

O Conselho científico também recomenda uma "avaliação de risco individual" para os professores "com fatores de risco", como por exemplo doenças crônicas, a ser realizada por um médico antes do dia 11 de maio. “Esses funcionários devem ter o direito de trabalhar de casa”, a menos que a avaliação de risco individual conclua que "o trabalho presencial" é possível.   

O home office é aconselhado sempre que possível, "em todo ou mais da metade do tempo de trabalho". Para comerciantes e artesãos, propõe-se retomar as atividades respeitando escrupulosamente as regras do distanciamento social. "O objetivo é retomar gradualmente as atividades presenciais, se possível, envolvendo apenas metade dos trabalhadores". Para as administrações públicas também é proposto o chamado “teletrabalho” para uma grande parte da equipe.   

Grupos de risco

O Conselho Científico aconselha as pessoas com mais de 65 anos de idade ou portadoras de patologias crônicas (hipertensão, diabetes, doença arterial coronariana) a respeitarem "o confinamento estrito e voluntário, que as protege dos riscos de contaminação". O presidente Emmanuel Macron havia assegurado, em 17 de abril, que não queria "nenhuma discriminação" dos idosos, pedindo "responsabilidade individual".

Festivais cancelados

Durante os primeiros dois meses após o fim do confinamento, é "necessário manter fechados ou proibidos todos locais e eventos" reunindo "público em grande número, sejam salas de espetáculos fechadas ou locais ao ar livre". Em 13 de abril, Emmanuel Macron havia enfatizado que esse tipo de evento não poderia ocorrer até pelo menos meados de julho. Os principais eventos culturais da França já cancelaram suas edições de 2020, como os festivais de Cannes, Avignon, Francofolies ou Vieilles Charrues.

 

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