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AlloCovid: robôs entram em ação para orientar pacientes com suspeita de coronavírus na França

A plataforma "AlloCovid" foi lançada nesta segunda-feira (27) com o objetivo de orientar os pacientes com coronavírus por meio da inteligência artificial.
A plataforma "AlloCovid" foi lançada nesta segunda-feira (27) com o objetivo de orientar os pacientes com coronavírus por meio da inteligência artificial. REUTERS - STEVEN WATT
Texto por: RFI
4 min

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e de Pesquisa Médica da França (Inserm) lançaram nesta segunda-feira (27) uma nova central de atendimento por telefone, desenvolvida por inteligência artificial, para monitorar casos de Covid-19 no país. Basta telefonar para um número gratuito e, do outro lado da linha, robôs orientam o usuário sobre seu estado de saúde em apenas três minutos.

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No momento em que o aplicativo de rastreamento de doentes "Stop Covid" é contestado por setores preocupados com as liberdades civis e garantias de direito à privacidade, o serviço AlloCovid surge como uma  alternativa que poderá ajudar as autoridades francesas a monitorar a propagação do novo coronavírus nos municípios de todo o país.

Ao acessar a central telefônica pelo número 0 806 800 540, ao custo de uma ligação local, o usuário é atentido por um robô, com voz feminina, que propõe um questionário de três minutos sobre sintomas da doença (febre, tosse, falta de ar, etc.), dados pessoais (idade, peso e altura), comorbidades, entre outras informações. A pessoa não precisa revelar sua identidade, apenas o código postal da cidade de onde está fazendo a chamada.

A tecnologia de inteligência artificial baseada no reconhecimento vocal faz com que o robô interprete até 900 respostas possíveis para cada pergunta, levando em conta o tom de voz do usuário, suas hesitações, seu grau de vulnerabilidade diante da doença e a gravidade dos sintomas descritos. Depois de uma rápida análise dos dados, o robô emitirá uma orientação entre quatro possibilidades: caso provavelmente negativo; caso provavelmente positivo, com recomendação para a pessoa ficar em casa; situação que requer uma consulta médica; e chamar o Samu.

O principal interesse do novo serviço é alertar as autoridades sanitárias sobre o aumento de casos num determinado município, estima Xavier Jouven, cardiologista e epidemiologista do hospital Georges Pompidou, em Paris, diretor do projeto no Inserm. A localização precoce de um novo foco de contágio permitirá às autoridades de saúde agilizar as medidas de isolamento e adaptar o atendimento hospitalar na região, sem precisar confinar novamente toda a população. Jouven garante que o usuário permanecerá totalmente anônimo, e as informações recolhidas serão destruídas em sete dias. Para as autoridades sanitárias, basta a informação sobre a localidade onde o vírus está em expansão para acionar mecanismos de controle da epidemia. "Essa pode ser uma arma muito eficaz", disse Jouven em entrevista à rádio France Inter.

Mil robôs para ligações simultâneas

Neste primeiro dia de lançamento, mil robôs estão mobilizados para atender simultaneamente aos chamados, número que pode aumentar rapidamente para 2.000 robôs. A iniciativa é uma cooperação original entre o setor acadêmico e a iniciativa privada: o Inserm, a Universidade de Paris, a filial digital da companhia ferroviária SNCF, e a startup especializada em reconhecimento vocal Allo Media.

O aplicativo de rastreamento Stop Covid, que recebeu o sinal verde da Comissão Nacional de Informática e Liberdades (Cnil), com algumas adaptações em relação ao projeto inicialmente apresentado, ainda será debatido nesta semana na Assembleia Nacional e submetido à aprovação dos deputados franceses.

A França se prepara para uma suspensão gradual do isolamento a partir de 11 de maio, depois de registrar 22.856 mortes pela Covid-19 desde 1º de março, incluindo 242 novas mortes nas últimas 24 horas. A situação nos hospitais melhora a cada dia, com 152 mortes em 24 horas – o menor saldo diário em cinco semanas – e um declínio contínuo nos últimos 18 dias no número de pacientes em terapia intensiva (4.668 pessoas). Mas os 5.000 leitos de UTI disponíveis no país continuam sob tensão, com 7.553 pessoas hospitalizadas devido ao novo coronavírus e outras doenças.

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