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Um pulo em Paris

Distanciamento social no metrô de Paris será um dos maiores desafios do fim da quarentena

Áudio 10:03
Um passageiro no metrô parisiense no dia 26 de abril.
Um passageiro no metrô parisiense no dia 26 de abril. REUTERS/Gonzalo Fuentes
Por: Adriana Moysés
15 min

O presidente Emmanuel Macron confirmou nesta sexta-feira (1°) que a quarentena decretada para combater o coronavírus será suspensa em etapas a partir de 11 de maio. Mas os franceses estão divididos: muita gente não vê a hora de sair de casa; outros temem o contágio no transporte público.

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Existem empresas que planejam manter o trabalho à distância, nas funções em que isso é possível, por vários meses. O governo fez um apelo para que o máximo de pessoas retornem à atividade profissional no dia 11 de maio, sem necessariamente sair na rua.

Na região metropolitana de Paris, a maior preocupação é com o transporte público, por causa da aglomeração e do risco de contágio no metrô e nos trens de subúrbio. Atualmente, apenas 30% dos trens circulam, transportando 500.000 pessoas por dia, contra 5 milhões em tempos normais. A partir do dia 11 de maio, 70% dos trens voltarão a circular, até chegar a 100% nas semanas seguintes. Só que a metade dos assentos terão de ficar vazios para garantir o distanciamento social.

A ideia é limitar o número de usuários na rede a 2 milhões de pessoas. Mas existem linhas saturadas, como a 13 em Paris, com 650.000 passageiros por dia. Ninguém entendeu ainda como será possível transportar apenas 20 pessoas por vagão no metrô. A conta entre a demanda e a oferta de lugares não fecha.

Ainda não está claro se haverá controle de acesso na entrada das estações. O governo estuda estabelecer horários preferenciais para os trabalhadores, mas ainda deve anunciar de que maneira pretende regular o fluxo de passageiros.

Verba para consertar a bicicleta

O Ministério dos Transportes está incentivando o uso da bicicleta e liberou uma verba de € 22 milhões para a criação de ciclovias temporárias, locais de estacionamento para bikes e cursos gratuitos para quem tem medo de pedalar na cidade. Além disso, está dando um cheque de € 50, cerca de R$ 300, para o usuário colocar a bicicleta em bom estado – trocar a corrente, freios, pneus. A única exigência para usufruir do benefício é utilizar esse cheque nas lojas autorizadas, listadas no site da Federação Francesa de Usuários de Bicicleta (FUB).

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, vai fechar algumas ruas e avenidas movimentadas para uso exclusivo de ônibus e bicicletas.

Distribuição de máscaras

O uso de máscaras será obrigatório no transporte público. O produto poderá ser do tipo descartável ou reutilizável em tecido, mas todos devem cobrir o nariz e a boca nos ônibus, metrôs, trens e aviões. Esta semana já houve distribuição gratuita de máscaras nas estações da região parisiense. A empresa que administra a rede do metrô em Paris (RATP) vai oferecer máscaras gratuitas aos 2 milhões de usuários que utilizam o passe mensal ou anual de transporte. Muitas prefeituras também estão distribuindo máscaras para seus habitantes pelo correio.

O produto também está chegando aos supermercados e tabacarias. Para evitar abusos, o governo tabelou o preço da máscara cirúrgica a no máximo € 0,95, cerca de R$ 5,80 a unidade, o que já é considerado um preço exorbitante. As de tecido terão preço livre.

Em caso de infração no transporte, o secretário da pasta disse que o valor da multa poderá chegar a € 135, cerca de R$ 800, mas o montante ainda não foi definido.

No dia 11 de maio, haverá uma certa tolerância, os agentes vão explicar que a proteção no transporte é obrigatória. Mas a partir do dia 12, eles terão autorização para aplicar a multa.

Testes de diagnóstico

A estratégia de fim da quarentena está baseada nos testes rápidos de diagnóstico da Covid-19, os chamados RT-PCR, feitos com uma espécie de cotonete (swab) na narina: 700 mil por semana, a partir de 11 de maio. O governo considerou inviável assumir os custos e a logística dos testes sorológicos de anticorpos. Esses do nariz serão gratuitos.

A ideia é testar as pessoas logo que apareçam os sintomas, isolar os casos positivos e investigar os contatos do paciente. O doente poderá ficar isolado em casa ou em hotéis que serão abertos para recebê-los. Se as contaminações aumentarem, os prefeitos terão liberdade de fechar as escolas e confinar de novo a população próxima daquele novo foco. O monitoramento será local, em função da circulação do vírus e a situação nos hospitais da região.

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