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Dia de Luta contra a Homofobia: "Meus pais me expulsaram porque sou gay", conta francês de 22 anos

As agressões físicas, sexuais e verbais de caráter homofóbico ou transfóbico registraram um aumento de 36% na França.
As agressões físicas, sexuais e verbais de caráter homofóbico ou transfóbico registraram um aumento de 36% na França. OLGA MALTSEVA / AFP
Texto por: RFI
4 min

Neste 17 de maio, Dia Mundial da Luta contra a Homofobia e a Transfobia, a França tem pouco a comemorar: o país registrou um aumento de 36% de agressões contra a comunidade LGBTQI+. Muitas dessas violências ocorreram durante o período de quarentena, protagonizadas por membros das próprias famílias das vítimas.

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Em plena pandemia de coronavírus, Cédric, de 22 anos, se viu sem moradia depois de ter contado à família que tem um namorado. O jovem natural da Bretanha, no noroeste da França, também foi agredido fisicamente pelo pai. Mas foi a violência verbal o que mais o magoou. "Ele me disse que não sou mais seu filho, afirmou que eu sou doente", relembra, em entrevista ao canal de TV France 3.

A mãe do jovem também se irritou com o "coming out". "Ela reclamou que por eu ser gay, eu jamais poderia dar netos ela. Ainda disse que mesmo que eu resolvesse adotar crianças, elas nunca seriam consideradas como verdadeiros netos por ela", conta.

Há cerca de dois meses Cédric vive em um apartamento da Fundação Le Refuge, em Besançon, no leste da França. O jovem se diz "aliviado" hoje, mas ainda vive sob o choque da rejeição. "Eu sabia que não seria simples, mas não esperava por isso. Às vezes penso que não deveria ter dito nada aos meus pais e ter vivido minha sexualidade escondido. Mas eu não aguentava mais", desabafa. 

Diante do aumento das agressões homofóbicas nas próprias famílias durante os dois meses de quarentena contra o coronavírus, o governo francês debloqueou € 300 mil no final de abril para um "plano de emergência". O montante serve para financiar o acolhimento em hotéis de pessoas LGBTQI+ que passam por dificuldades na casa de parentes. Segundo o Ministério do Interior, atualmente, cerca de 40 jovens se beneficiam deste programa.

Um aplicativo para smartphones também foi lançado em abril pela associação FLAG!, formada por policiais LGBTQI+, para que vítimas possam pedir ajuda caso sejam alvo de atos de violência. Além disso, na última quarta-feira (13), a Assembleia da França adotou um projeto de lei contra crimes de ódio na internet. A partir de julho, as plataformas e motores de busca on-line serão obrigados a retirar conteúdos que incitem violências homofóbicas, racistas ou religiosas, correndo o risco de multa de até € 1,25 milhão

Aumento de 36% das agressões

As agressões físicas, sexuais e verbais homofóbicas ou transfóbicas registraram um aumento de 36% na França. Segundo dados do Ministério do Interior da França, em 2019, a polícia registrou 1.870 casos de violência física, sexual e verbal de caráter homofóbico ou transfóbico, contra 1.380 em 2018. 

"Esses números testemunham o arraigamento profundo da homofobia e da transfobia na sociedade" e "se inscrevem em um contexto maior de progressão de atos de ódio e de extremismos identitários", afirma um comunicado da pasta. 

De acordo com o levantamento do governo francês, as agressões verbais contra as pessoas LGBTQI+ são motivo de 33% dos boletins de ocorrência, enquanto as violências físicas e sexuais dizem respeito a 28% dos registros. As vítimas são majoritariamente homens (75%) e geralmente jovens: 62% têm menos de 35 anos. 

No entanto, as organizações de apoio à comunidade LGBTQI+ indicam que essas estatísticas estão aquém da realidade, já que muitas vítimas não ousam procurar a polícia para denunciar as violências. Por isso, o Ministério do Interior faz um apelo por "um aumento da vigilância dos poderes públicos e a uma mobilização mais forte da sociedade" contra a homofobia. 

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